quinta-feira, 30 de junho de 2011

Mau, mas não hipócrita e aprendendo a amar




Vocês são o povo de Deus. Ele os amou e os escolheu para serem dele. Portanto, vistam-se de misericórdia, de bondade, de humildade, de delicadeza e de paciência. Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas. E que a paz que Cristo dá dirija vocês nas suas decisões, pois foi para essa paz que Deus os chamou a fim de formarem um só corpo. E sejam agradecidos. Que a mensagem de Cristo, com toda a sua riqueza, viva no coração de vocês! Ensinem e instruam uns aos outros com toda a sabedoria. Cantem salmos, hinos e canções espirituais; louvem a Deus, com gratidão no coração. E tudo o que vocês fizerem ou disserem, façam em nome do Senhor Jesus e por meio dele agradeçam a Deus, o Pai. (Colossenses 3:12-17)


Dois extremos se entrechocam quando discussões afloram no meio evangélico: uns defendem uma passividade anormal e quase omissa em nome do amor; outros, por seu turno, defendem ideias e convicções de maneira dura, quase cáustica - e muitas vezes ácida.

Confesso que estou mais para o segundo grupo, porém, em franco aprendizado em direção a um equilíbrio mais condizente com os princípios que emergem do texto em epígrafe. Qual é a justa medida, quem pode dizer? Onde está o ponto de equilíbrio entre o amor e a verdade?

A hipocrisia é o fermento dos fariseus, vestindo-se de suavidade e ternura. Aqueles que se guiam pela falsidade, no mais das vezes, têm uma conversa melíflua, capaz de engodar o interlocutor. O engano vem em forma de piedade cristã, de imensurável amor. Esses tais costumam ser amados e são populares, pois trazem consigo maneirismos e afetação de grande civilidade. São educados, macios e escorregadios como serpentes, as suas primas mais próximas.

Prefiro os rudes, os casca-grossa, aqueles que, embora não polidos, não falseiam, tentando mesmerizar o outro com a sua conversa macia. Seja o sujeito um incrédulo assumido, ou venha ele travestido de cristão, as suas ardilosas tentativas de enganar com palavras de grande persuasão deixarão entrever uma certa falta de originalidade e de autenticidade. O falso, ainda que disfarçado de genuíno, jamais será perfeito: haverá sempre uma tonalidade discrepante, um não-sei-quê de inverossímil.

Desconfio de grandes mesuras, ou de servilismo, pois denotam falta de caráter. Também temo o demasiadamente hostil, a propagandear a sua hostilidade e truculência como marcas de elevada personalidade. Talvez o "busílis" seja alcançar o perfeito equilíbrio em dizer a verdade com amor, quando isto for possível. Mas amor verdadeiro, não treinado, nascido da profundidade do coração.

Os extremos são perigosos, reafirmo. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, diria o meu avô. No meu caso, estou tentando exercitar a orientação dada por Paulo , muitas vezes suportando, mas nem sempre com amor. É tentativa e erro. Porém, para não romper com essa orientação, há uma classe de "cristãos" com os quais decidi evitar qualquer tipo de discussão: os liberais . Eles me causam urticária, com a sua grande afetação de sabedoria e profundidade. A manter qualquer conversação com os tais, corro sério risco de cometer o grave pecado da ira, dentre outros.

Há muito tempo venho pedindo a Deus que me conceda sabedoria para compreender o meu próximo, senão para amá-lo, pelo menos para não odiá-lo quando ele me persegue, armando ciladas ao longo do meu caminho. Há estes, e são os piores. No entanto, Cristo nos diz para amarmos os nossos inimigos e eu ainda não cheguei lá. Espero um dia chegar, mas tenho consciência das dificuldades, porque não sou bom - você também não é; nós não somos. Acompanha-nos a nódoa da queda, a macular indelevelmente a nossa natureza. Por isso não creio em uma teonomia exercitada por homens - mas isto é outra coisa.

A Deus, resta-me continuar pedindo a Sua intervenção contínua para amainar a minha natureza em processo de redenção. Tenho certeza que até alcançar a meta final continuarei necessitando das ricas misericórdias do Criador, do Seu amor incondicional e da sua fidelidade, para com este pecador contumaz.

Quem for bom que se habilite, ou que atire a primeira pedra.


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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Amor incondicional a Deus



E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28).

A espiritualidade de então, vendida diariamente pelos meios de comunicação de massa, salvo raras e esparsas exceções, "comunica" aos ouvintes e assistentes algo contraditório e frontalmente antagônico com aquilo que está dito expressamente no verso bíblico em epígrafe. Os seguidores dessa corrente fazem as suas próprias interpretações das Escrituras criando um contexto artificial que os satisfaça, e de pronto afastam os dissabores da vida, as intempéries pelas quais todos nós cristãos, vez ou outra, passamos; as aflições e sofrimentos que nos acometem.

Os acontecimentos da vida muitas vezes nos oprimem. Há percalços e mais percalços pelos quais passamos, até que em certo momento chegamos a pensar que não suportaremos. Vemos diariamente o contraponto, que é o sucesso de inúmeros ímpios, a ponto de parecer que "eles não sofrem e que tudo dá certo para eles", ao passo que nós, verdadeiros adoradores do Deus altíssimo, somos muitas vezes vergastados por um um chicote invisível.

Ledo engano. Peca-se por não se entregar à verdadeira compreensão do contexto bíbilico, por isso mesmo os incautos seguem, cegamente, uma pregação tortuosa que se repete pelos meios de comunicação, expressando um humanismo roto que em nada espelha a verdade das Escrituras.

Com efeito, todas as coisas de fato cooperam para que sejamos conformes à imagem de Cristo, morto em nosso lugar e por nós sofrendo a maldição da Lei. Ainda que seja o mal a nos afligir, devemos nos lembrar que "o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe" (Hebreus 12:6). Se não fosse assim, para que fiquemos em um único exemplo, basta que nos lembremos de todas as tribulações pelas quais Jó passou, ainda que não houvesse "servo como ele sobre toda a terra".

A principal razão do desvio dotrinário a que se abandonam os anunciadores da "vitória" está na crença humanista que professam. Eles esperam muito deste mundo, estruturam a sua casa não sobre a Rocha, mas sobre areia movediça, buscando a satisfação material como objetivo final e criando um deus que lhes seja submisso; espécie de gênio da lâmpada que lhes satisfaça os desejos. No entanto, o mesmo contexto bíblico nos diz peremptoriamente que (...) "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Romanos 8:18).

A partir do momento em que a esperança do homem se harmoniza com as coisas deste tempo presente, aqui mesmo ele terá o seu galardão, porque nós, depois de redimidos, nos tornamos "peregrinos e forasteiros no mundo" (1 Pedro 2:11). E como cidadãos do céu, havemos de almejar as coisas do céu, buscando, outrossim, sermos conduzidos por Cristo.

Sim, de fato fomos conformados à imagem de Cristo, por isso haveremos de suportar aquilo que foi decretado por Deus na eternidade, já que essa conformação resta bem retratada pelos versos 29 e 30 do mesmo capítulo 8 de Romanos:

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

Eis que, ainda que venham as adversidades, glorifiquemos a Cristo a tempo e hora, até que ele volte e separe os seus para com eles dividir a eternidade no céu, onde as belezas e a felicidade não podem ser mensuradas pela inteligência humana.

Maranata!

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sábado, 18 de junho de 2011

"Posse non pecare?"



Ousarei caminhar por uma trilha difícil ao falar sobre o pecado original , bem como a condição de anjos e homem pré-queda. Diz-se que o primeiro casal vivia numa condição de completa inocência exatamente por desconhecer o pecado. Diz-se mais. Assevera-se que o casal primevo, antes da queda, vivia em estado de completa pureza e em perfeita harmonia com Deus-Criador. E eu creio nisso, pois a Bíblia, no livro de Gênesis, nos informa assim.

Todavia, a pergunta que não quer calar e que cavouca a minha mente e de tantos outros cristãos que me antecederam, a exemplo de Agostinho, o bispo de Hipona, é: por que houve o mal e o pecado? A resposta a tal pergunta há de desaguar em um tal entendimento que leve, ou à soberania completa de Deus, ou a um certo compatibilismo, onde se concederia ao casal primeiro não somente a vontade livre, como uma completa autonomia do Criador, podendo "escolher não pecar".

Sinceramente, a mim, a afirmação agostiniana acerca do "posse non pecare" vinculado ao casal antes da queda equivale ao livre arbítrio, uma vez que, podendo escolher "não pecar" , mas pecando, dá-se ao homem, ainda que pré-queda, autonomia da vontade. E com isto eu não concordo, embora reconhecendo que a metafísica agostiniana está além da minha capacidade de compreensão.

Na minha compreensão o homem (ou anjo) jamais viveu sob a condição de "poder não pecar", uma vez que a sua natureza, ainda que não caída, mesmo desconhecendo o pecado, não lhe capacitava a tanto. Quero crer que a capacidade de pecar, ou a possibilidade de infringir a Lei Moral sempre acompanhou o homem - e anjos -, estando incrustada na sua natureza.

Dir-se-ia que o homem, feito à imagem e semelhança de Deus (imago Dei), e ainda limpo de pecaminosidade, trazia em si toda a possibilidade de não pecar. A mim essa afirmação implica em que o homem pré-queda se igualava então a Deus, sendo não mais "à sua imagem e semelhança" , mas idêntico a Ele.

Negrito
Resumindo, creio que ninguém jamais teve livre arbítrio, nem mesmo o primeiro homem e a primeira mulher criados. Tampouco anjos jamais o possuíram, muito menos Lúcifer. E ainda assim, todos os que caíram, Adão, Eva e anjos, foram e são absolutamente responsáveis pela sua queda.

Na medida em que há na eternidade um plano decretivo de Deus que antecede toda a criação, prevendo e determinando todos os acontecimentos futuros, antes que nada houvesse (Salmo 139), não cabe falar em livre arbítrio.

A meu ver, criatura alguma se reveste de tal condição, uma vez que somente o Não-Criado, o Eterno, o Insondável, possui autonomia, logo, a capacidade eterna e imutável de não-pecar. Com isto, não quero impor a Deus a responsabilidade ou a autoria do mal e do pecado, uma vez que nesse aspecto eu me alinho com a CFW e com Agostinho. O mal e o pecado não existem de per se, não tendo identidade própria, por assim dizer. Concordo que o mal não tem existência ontológica, enquanto o bem sim, por fazer parte da essência de Deus. Confesso não querer continuar por esta seara, por me faltar conhecimento metafísico sobre o assunto. Porém, concordo que o mal, neste aspecto, por não ter existência ontológica, é não-ser. Logo, o mal, para existir, depende da ação efetiva de uma criatura, sendo impossível existir pela ação direta de Deus, ou mediante a sua execução direta. Assim, a meu ver, ainda que tal raciocínio esteja colocado de forma simplista, o mal existe porque criaturas existem. Todavia, o mal jamais existiria se não fosse a vontade de Deus em criar . E nisto Deus é soberano, tudo existindo por Ele e para Ele; para a sua glória Eterna.

Acredito que toda a problemática pode residir no fato de o homem ter sido criado "à imagem e semelhança de Deus", mas não exatamente como Ele. Fosse o homem criado exatamente como Deus, poderia ele não somente "não pecar", como seria Deus.

Houve um decreto eterno de Deus que, sabiamente, proveu o homem de inúmeras capacidades, porém limitadas. Da mesma forma os anjos. Deus, na sua insondável sabedoria, fez criaturas menores. O fato de serem menores do que Ele , obrigatoriamente os levaria à queda. É uma espécie de lógica. Assim, a meu ver, não havia a menor possibilidade da não ocorrência da queda, posto que a lógica da criação era esta.

Pode ser que esta minha visão seja mais próxima do supralapsarianismo, uma vez que Deus decretou a queda antes mesmo da criação, num plano eterno e independente. Eis que a ordem do decreto Eterno independe de limitações temporais.

A conclusão a que chego é que somente Deus tem livre arbítrio. Nenhuma criatura, homem ou anjo, jamais o tiveram. Talvez os termos usados aqui neste pequeno e humilde arrazoado sejam simplistas, assim, peço antecipadamente desculpas aos que se dispuserem a lê-lo.

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Tribunal Divino versus Tribunal Secular. Ou: as últimas do STF



Sou um pessimista com as coisas deste século. Não comungo da mesma esperança com que alguns irmãos se investem a respeito de um crescimento fenomenal do Reino de Cristo nesta terra depravada - cujos valores cada vez mais se deturpam. Vejo, ao contrário, uma sociedade a se desintegrar diuturnamente, numa marcha crescente.

Os valores do Reino tão valiosos para os verdadeiros cristãos são nada para os ímpios. Enquanto isso, os ímpios sobejam, a espalhar outros valores que não estão contidos no Cânon. Estou em minoria e aceito esta circunstância inegável a me sufocar, tanto mais eu caminho e avanço de encontro ao Criador. Os vassalos de satanás ocupam mais e mais postos neste mundo perdido.

Como comparar a justiça dos homens com a Justiça Divina? Os homens que detém o poder na sua maioria, plenipotenciários ou não, ditadores ou democratas, "bons" ou maus, guiam-se direcionados pelas suas mentes carnais, desconhecendo o Deus Soberano. E daí surgem as aberrações que se confrontam com a Bíblia, com a moral e a ética seguidas pelos verdadeiros cristãos, incrustadas em seus corações pelo Grande Doador da vida.

Dois fatos últimos provocaram em mim esta curta reflexão que agora passo a 'deglutir', como que ruminando vagarosamente o fel que brota neste paladar tão desacostumado com outros sabores mais amenos: a aprovação pelo Supremo Tribunal Federal da união homoafetiva e a recentíssima aprovação da marcha em favor da maconha.

Os valores do Reino são outros, que não os deste século... homens que detém o poder de aplicar a lei o fazem com tamanho destemor, a ponto de transfigurar a ordem natural da vida, como se fosse possível a dois homens, ou duas mulheres, malgrado a sua total incapacidade biológica, gerarem vida. Os dicionários seculares já apregoam firmemente o entendimento assente de que casal, implícita e explicitamente, pressupõe macho e fêmea, homem e mulher. Já o "Dicionário de Deus" informa sumariamente que as relações lícitas se traduzem pelo coito entre homem e mulher, daí se originando a família. O mesmo "Dicionário" ainda vaticina duramente que o coito entre pessoas do mesmo sexo é pecaminoso, contrário à ordem criada. Enquanto isso, os tribunais deste século não traduzem o mandamento Divino e nem irão fazê-lo. O mundo caminha para a desintegração daqueles valores tão nobres expostos nas Escrituras, é o que creio.

O Tribunal secular se desdiz na sua própria justiça, na medida em que aprova e consagra um direito anômalo alicerçado no crime. Nesse diapasão, fazer apologia ao consumo de maconha ou de qualquer outra droga ilícita é crime. O Tribunal Divino, por seu turno, jamais se contradiz, porque a vontade de Deus é una, eterna e infalível.

Todavia, creio firmemente que sempre haverá homens que 'não dobrarão os joelhos a baal', formando aquele remanescente maior do que 5.000 homens, a remar e remar contra a maré... remar e remar...

Deus proverá este remanescente de força e perseverança, porque o elegeu desde antes da fundação do mundo. E, sendo impossível resistir, mesmo para os seus eleitos, dada a intensidade da dor e sofrimento, os dias serão abreviados...

Lutarei sempre pelos valores cristãos, pela aplicação da reta justiça de Deus expressa na Bíblia, mas sabendo que estarei em minoria. Ainda assim, jamais me conformarei com os valores e com a justiça deste século, que nada mais são do que trapo de imundície.


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domingo, 12 de junho de 2011

A fé de cada um...



Quando se fala em fé é possível observar manifestações diversas, cada um expressando a sua própria. Há perfis e perfis, de acordo com a crença que se adote, com a doutrina abraçada e principalmente, com a denominação a que se vincule. Ainda que sejam possíveis e aceitáveis tais diferenças, partindo do princípio que o homem é um ser social, mas com individualidade e identidade próprias, penso que deveria haver um limite bem definido entre o que deve ser aceito como fé genuína e as manifestações dessa fé.

Quem pode delimitar o que é bom e o que não é, o que é autêntico e verossímil daquilo que é falso, não somos nós, mas as Escrituras Sagradas. O conhecimento da palavra traça esse limite com clareza meridiana, impedindo que abracemos heresias e apostatemos. A Bíblia deve ser a única bússola a nos guiar, a única com poder sobrenatural capaz de nos impedir de cairmos no abismo, como cegos, guiados por outros guias cegos.

Não duvido da fé de ninguém e nem quero fazê-lo - tampouco tenho poder para tanto. Todavia, devo ter a capacidade de submeter as manifestações e as exteriorizações alheias com o manual que sigo: a Bíblia. Se em desacordo com ela, decido rápida e sumariamente que tal não serve para mim, para a minha família e para a minha igreja. Mas se ainda assim a igreja a que eu esteja vinculado abraçar tais manifestações baseadas na experiência pessoal , seguirei eu por outro caminho. É o que tenho dito e é o que farei.

Não há como medir a fé alheia. Ninguém possui a capacidade metafísica, sobrenatural, capaz de mensurar o que vai no coração do outro. A régua que mede a fé do homem pertence única e exclusivamente ao Eterno. Todavia, posso escolher o que está de acordo com as minhas convicções, estas, pautadas pelas Escrituras Sagradas.

No exato momento em que manifestações de fé poderosas desaguam em terreno pantanoso e escorregadio da experiência pessoal determinadas por frases do tipo "eu vi", "Deus me mostrou", "Deus me disse", ou "Deus me mandou dizer", volto-me humildemente para a Palavra e com ela fico. Eis que embarcar nesse tipo de aventura é por demais temerário, na medida em que ninguém pode autenticar a tal manifestação, afirmando que ela vem mesmo de Deus.

É horrendo o que temos assistido por aí, motivado pelo distanciamento da Bíblia e pelo abraçar de uma fé etérea e tão fluida. Os tais dons miraculosos são a desculpa para tudo de bizarro que se possa imaginar, e têm-se como bom, uma vez que, afirmam eles, a Bíblia os autentica. Difícil é saber se o dom manifestado por alguém vem de Deus ou das profundezas da sua mente carnal.

Se há novas revelações, quem pode me dizer qual é verdadeira e qual não é? Quem pode afirmar que uma vem de Deus e a outra não? Qual será a segurança do crente neste contexto tão perigoso, onde a linha tênue que separa a suposta verdade da mentira é invisível?

A Palavra de Deus expressa na Bíblia não permite que tais dúvidas permeiem as nossas certezas e levem a tamanha confusão. Na medida em que passamos a crer nas palavras de alguém como sendo um recado de Deus, ficamos abandonados à certeza do outro e a ele ficamos submetidos, deixando o Eterno em um plano mais longínquo (Romanos 1:25). A nossa dependência deve ser exclusivamente de Deus; não devemos jamais ficar expostos a homens, ainda quando se autodenominem de mensageiros de Deus, os tais profetas de nossos tempos. Tal como Lutero, não quero ver anjos, nem obter deles recados, pois dependo unicamente do Deus revelado.

É muito interessante observar, dentre tantas outras citações bíblicas sobre o assunto, o que Deus assevera no Livro do Profeta Jeremias 23:11-16:

"Portanto o seu caminho lhes será como lugares escorregadios na escuridão; serão empurrados, e cairão nele; porque trarei sobre eles mal, no ano da sua visitação, diz o SENHOR. Porque tanto o profeta, como o sacerdote, estão contaminados; até na minha casa achei a sua maldade, diz o SENHOR. Nos profetas de Samaria bem vi loucura; profetizavam da parte de Baal, e faziam errar o meu povo Israel. Mas nos profetas de Jerusalém vejo uma coisa horrenda: cometem adultérios, e andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se convertam da sua maldade; eles têm-se tornado para mim como Sodoma, e os seus moradores como Gomorra. Portanto assim diz o SENHOR dos Exércitos acerca dos profetas: Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel; porque dos profetas de Jerusalém saiu a contaminação sobre toda a terra. Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Não deis ouvidos às palavras dos profetas, que entre vós profetizam; fazem-vos desvanecer; falam da visão do seu coração, não da boca do SENHOR."

Os movimentos "avivalistas" do século XX tiveram um grande impacto sobre a espiritualidade até ali conhecida e alimentada, quando se deu grande ênfase aos dons de profecia, línguas estranhas, curas, etc. E, na mesma medida em que se transformaram o culto em uma espécie de balbúrdia sem uma liturgia determinada, viram-se igualmente igrejas sendo transmudadas de templos em palcos de "show", a maioria de péssima qualidade. E por ali se veem rodopios, rosnados, saltos acrobáticos, gritos ensurdecedores, êxtases de todos os tipos. E revelaçoes aos borbotões. O culto racional, inteligível, dando lugar ao caos.

Há algum tempo li num blog por aí que "os crentes fracos, esses que acreditam em todo tipo de manifestação baseada na experiência pessoal, serão enganados e apostatarão. Provavelmente eles adorarão a criatura ao invés do Criador.

Infelizmente, é esta a recompensa que obterão aqueles que abandonam a Palavra, trilhando outrros caminhos, por mais belos e extasiantes que sejam.




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terça-feira, 7 de junho de 2011

A minha, a sua, a nossa crítica



Well, well, well... (saibam os leitores que se aventurarem por aqui que estou apenas tripudiando - no bom sentido - dos americanos com essa sua mania de repetir essas palavras quase sempre, quando iniciam as suas frases, os seus raciocínios). Passado este momento de descontração, permitam-me (se alguém ainda me lê), falar algo que vai por outras plagas não bem teológicas e nem tão politicamente correto, dada a mania se "fazer o certo", seja em que ambiente cultural for. É a tal da CRÍTICA, que já comentei de maneira superficial neste mesmo blog.

Estes espaços de viés teológico, como o meu blog (outros muito mais do que este), primam por uma certa combatividade , uma defesa intransigente dos pontos de vista. Cada um se arvorando a senhor da razão, da melhor hermenêutica, do pensamento mais apropriado e condizente com as Escrituras ( e olha que eu reconheço estar incluído no grupo). Combatem-se ideias brandindo os seus argumentos por vezes com suavidade, outras nem tanto. Outras vezes ainda, como um combate de gladiadores na arena , quiçá, de titãs, se os tais existissem.

Estranho é observar que a recepção da crítica não é tão alegremente percebida por grande parte dos valentes debatedores/contendores... basta que se coloquem contra o argumento defendido para que duas atitudes prevaleçam: o apelo a uma certa autoridade estranha ao próprio argumento e à razão e o afastamento estratégico , de certa forma condescendente com o "herege", espécie de idiota (ainda considerado amigo), ou mesmo pedras e farpas atiradas contra o "adversário" sem qualquer sutileza.

Logo, aquele que aspira manter a sua individualidade e independência intelectuais é tacitamente rotulado de problemático, reacionário, vendo-se sumariamente excluído da "tribo". Torna-se em 'persona non grata' , ainda que tal não seja verbalizado. É como se fosse um bulling conceitualmente diferente daquele praticado nas escolas, posto que aqui, nesse nosso meio virtual cristão, as coisas se conduzem com mais 'civilidade' , para que se mantenha o 'glamour' (hehehe, estou na minha veia mais satírica).

Os códigos não escritos passam a vigorar com as suas entrelinhas capciosas, e eis que o "do contra" é transformado em verdadeiro apátrida, um estranho no ninho, sentindo-se quase como o último dos moicanos. Há certos dogmas que marcam esses grupos, tribos, aglomerados culturais (ou cultuais?), os quais devem ser abraçados e defendidos, ou então não se pertence aos tais grupos. Reformados não são exceção, ainda que haja diversidade dentro do quase-gueto.

Já disse outra vez neste mesmo espaço, em época passada, que tenho extrema dificuldade com posicionamentos homogêneos , pois que tendem a se tornar autoridade por imposição - e não pelos seus fundamentos intrínsecos capazes de lhe conferir autoridade. Talvez eu nem me faça compreender inteiramente, podendo ser que o raciocínio ora transposto para a tela se apresente truncado, quebrado, porque destituído de todas as informações e impressões que eu trago cá comigo e que nem sempre consigo arrancar de dentro. Se assim for, que me perdoem os leitores incautos que se aventurarem por aqui.

As tribos, cada uma delas, se acham capazes de construir o seu "Admirável mundo novo" , navegando placidamente pelas suas utopias e arrogando-se a proprietárias de uma ótima receita, bem embrulhadinha em papel machê e lindamente adornada por belíssimo laçarote :)

Mas na verdade, ninguém é obrigado a concordar com a interpretação do outro, menos ainda o cristão, quando a tal interpretação não for exatamente originada do texto bíblico. Ou melhor, apenas se pode impor com grau de autoridade absoluta o próprio texto das Escrituras, a revelação clara. Donde não se encontram contidas as conjecturas, por mais esplêndidas que sejam.

Conjecturar, todos nós podemos, desde que respeitemos, obviamente, a conjectura do outro, não tentando impor as nossas como dogmas, ou leis, ou regulamentos.



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domingo, 5 de junho de 2011

Esta minha loucura



Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, E aniquilarei a inteligência dos inteligentes Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação (1 Cortintios 1:18-21).


Estou ficando cada vez mais farto da sabedoria deste mundo e dos sábios deste século. Cansam-me, sobremaneira, os Stephen Hawking, Richard Dawkins, Sartre, Nietzsche e tantos outros virtuoses do "saber" a anunciar um conhecimento híbrido e destituído da verdadeira razão, esta, inserta na mente do homem pelo próprio Criador.

Que eu seja então louco. Louco por crer em um Evangelho que anuncia o Filho do homem, Deus encarnado, morto e depois ressurreto. Que esta loucura me acometa a ponto de fazer-me amar ao meu Criador muito mais do que a mim mesmo, porque a minha própria vida não me pertence, mas a Ele.

Uma certeza eu tenho: os sábios deste século, com o seu conhecimento vil hão de perecer, como as folhas dos arbustos que secam no outono; hão de murchar como as flores, depois de vencido o seu ciclo de beleza e vida.

Miserável que sou, suplico ao meu Deus que mantenha a minha fé e que me livre de tal sabedoria, opaca e enevoada, como olhos envolvidos por grave catarata.

Haverá dia, e isto é certo, em que todo joelho se dobrará ao Senhor Deus. E nesse dia, toda a sabedoria deste século será reputada em nada, e perecerá. Mas a loucura do Evangelho permanecerá e nos fará reinar com Cristo pelos séculos dos séculos, de eternidade em eternidade...

Amém.


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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Estava escrito



Estava escrito... Estava escrito que o negro abismo daria lugar a um turbilhão de cores e de pontos de luz perdidos no quase-infinito do universo que um dia seria criado.


Estava escrito que em meio a milhões de astros, planetas e quasares, num pontinho qualquer deste universo, escolhido dentre tantas outras galáxias, um planetinha insignificante abrigaria a vida em toda a sua fulgurante complexidade.


Estava escrito que a vida então criada traria em si mesma um pouco do” DNA” do seu criador, e que um dos tantos seres criados vestir-se-ia da sua imagem e semelhança, de tal maneira que amaria...


Estava escrito que a vida daria origem à vida, em estupenda e misteriosa multiplicação: a “fotografia” do Criador sendo “escaneada” em processo rápido e contínuo. E tudo seria muito bom...


Estava escrito na eternidade que, embora muito bom, o ser criado perderia a sua formosura primeva, cuja nódoa se estenderia como uma contaminação genética alcançando toda a vida existente. E a feiúra se processaria até alcançar todas as células dos organismos vivos e até mesmo a menor partícula do universo. E nem mesmo as pedras remanesceriam incólumes.


Estava escrito que o gênero humano comandaria o universo criado e seria o topo da criação, o seu ponto culminante. E por isso mesmo se ensoberbeceria, tentando obter o conhecimento indevido e proibido... Quiçá, para ser igual ao Criador.


Estava escrito...


Estava escrito que gerações nasceriam, gerações morreriam, outras surgiriam, em constante ressurgimento, qual imensa fênix. Sim, estava tudo escrito em letras abissais, nas brumas colossais e impalpáveis da eternidade.


Estava escrito, antes que nada houvesse ainda, que bilhões e bilhões se perderiam alegremente, mas outros, chamados e redimidos teriam a sua imagem refeita à antiga semelhança, ainda que não perfeita... Estava escrito em letras indeléveis que vasos se quebrariam.


Estava escrito que muitos estariam cegos e assim permaneceriam, tendo sido cegados e, ao mesmo tempo, escolhido a própria cegueira. Sim, pois até mesmo a “contradição” estava escrita e imersa em ‘insondável profundidade”.


Estava escrito e foi revelado: uns vêem e outros não, mas um dia, igualmente escrito, eis que todos verão.

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