sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Breve refutação a um arminiano convicto






Em uma visita ao site de viés reformado, "Eleitos de Deus" do Heitor Alves (aqui) pude fazer uma pequena refutação a um arminiano, e quero, neste ato, como auto-declarado aprendiz das doutrinas da graça, colacionar:

Paulo disse:

Onde é que está dito nas Sagradas Escrituras, claro, que a fé é um dom de Deus? Esta pode ser uma afirmação de Calvino ou de qualquer movimento religioso, mas da Palavra de Deus, nunca! Dizer que a fé é um dom de Deus é negar a eficácia do sangue do Senhor, isto porque nega a Sua abrangência a todos os homens que, em qualquer lugar e em qualquer época, invoque o nome do Senhor e sejam justificados pela fé. O texto que, de maneira explícita, fala da fé e de dom de Deus é Efésios 2:8. Mas o que é que é dom de Deus ali? “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” E “ISTO”! “Isto” é pronome demonstrativo neutro. Nos remete para todo um sistema de coisas que não pode estar determinado nem no feminino nem no masculino. Se o pronome “Isto” nos reportasse para o termo “Fé” estaria no singular e no gênero feminino “Esta” já que a palavra “Fé” é uma palavra feminina e está no singular! Isto é evidente! Claro que a fé salvadora não é um dom de Deus e nem poderia ser. De um deus tirano, nos livre Deus. O que é dom de Deus, no caso específico, é o ser salvo pela fé, e não a fé. O argumento de que Deus anda dando fé para uma turma já eleita para a salvação é areia braba e qualquer chuvisco, qualquer neblina, qualquer serração desmorona a casa por completo! A mentira é coisa ruim! Mas, cá pra gente, a mentira travestida de verdade, essa, além de ruim, é perigosa! E os que a fabricam, hão de ser indesculpáveis!

Ricardo Mamedes disse:

Paulo, Você de maneira nenhuma refutou o texto! Contestou o que quis e se fez indiferente para o que não quis contestar (ou não pôde)! Como então você explica Atos 13:48? ...E creram todos quantos estavam ORDENADOS para a vida eterna. Essa locução é definitiva no sentido de determinar uma ação prévia de Deus antes da própria fé: Ele ordenou a fé dos gentios. Vamos lá, como você explica Jo 6:44, 65? Se a fé é opção do homem, porque a locução NINGUÉM ? "... ninguém pode vir a mim..." a menos que o Pai o conceda! Logo, o VIR significa TER FÉ. Portanto, a lógica é que a fé é concedida pelo Pai. Não? Ora, na mesma direção vai Filipenses 2:13: "Porque é Deus quem efetua em vós tanto o QUERER como o REALIZAR, segundo a sua boa vontade". Querer= ter fé. Realizar= salvação.

Tentar modificar a essência do texto bíblico não irá em seu benefício. Como você refuta, nessa mesma ordem, Romanos 3:11, quando Paulo afirma peremptória e veementemente que "não há quem busque a Deus"? Como então ter fé, se não há a possibilidade dessa condição? Ora, "buscar a Deus" é o mesmo que "ter fé", uma vez que o único caminho para buscá-LO é através de Cristo. Então como podemos chegar a Deus? Através da escolha dEle mesmo, ou seja, foi Ele quem "nos escolheu primeiro" antes que nós O escolhêssemos" (lembra?). Por isso a definição em Romanos 8:29-30: ali está retratado todo o processo de salvação em uma ordem lógica, onde "tudo vem de Deus".

Observe que o primeiro ato é "predestinar", o segundo, "chamar", o terceiro "justificar" (somente agora a fé, através do sacrifício vicário de Cristo), e, por último, a "glorificação"(30). Vê como é um processo ordenado? Somente ao final vem a "glorificação". Finalmente, Romanos 9:11-23. "... não eram os gêmeos nascidos" ... "nem tinham praticado o bem ou mal" (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama" (11). Viu só? Observe bem que não é por "obras". Logo, a eleição prevalece "por aquele que chama". Chamar, nesse contexto, é ter fé. Se a fé fosse dom do homem, a salvação seria por obras, "e a graça já não seria graça" (Romanos 11: 6).

Portanto, queira você ou não "Ele terá misericórdia de quem lhe aprouver ter (Rm 9:13); independentemente de "muito correr ou querer" (9:16). Aliás, por essa lógica somente quererão aqueles que antes forem "chamados". Você afirma que "Deus jamais faria alguém para a perdição" (vi seus posts), o que é contradizente com Romanos 9:20-23: ali ele diz expressamente que fez "vasos para honra e outros para desonra" (9:21). Você me perguntaria em tom revoltado: Para quê? Deus é quem lhe responde: "...a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para a glória preparou de antemão..." (9:23).

Ao final você considera no seu comentário: seria então esse Deus tirano? Ele te responde: "Quem és tu ó homem, para discutires com Deus? Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra" (Romanos 9:20-21). Se ainda assim, Paulo, você duvida de que todo o processo de salvação é dom de Deus, vá discutir com Ele.

Quero salientar que somente deixei fora outros comentários, inclusive aquele extremamente pertinente feito pelo Heitor, para evitar que este post ficasse por demais extenso. Entretanto, caso alguém queira, dirija-se até o site de origem e poderá ter acesso completo (aqui).


[do site: http://www.eleitosdedeus.org/ . "Artigo traduzido do espanhol para o português por Daniela Raffo. Este artigo é parte de um livro que foi traduzido de uma versão abreviada em inglês intitulada "Quem está no controle?", publicado por Grace Publications Trust, e em sua versão original em inglês por Baker Book House. O título da versão original em inglês é: "A soberania de Deus".]

10 comentários:

Roberto Vargas Jr. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Vargas Jr. disse...

Meu caro Ricardo,

Excluí o comentário anterior para corrigir e complementar...

Nunca vi uma argumentação tão estúpida! Antes de tudo porque busca o sentido de "isto" sem qualquer exegese a partir do texto original grego. Depois porque não tem qualquer princípio hermenêutico aplicado.
Ah, e já que estou cansado de más interpretações e de choros de ofensas que não existem, é bom dizer que estúpida é a argumentação. Se o autor também o é, embora eu pense que as chances se apresentem, não o sei. Mas mesmo o mais inteligente dos homens pode ser traído pelo seu pensamento!

Agora, veja que, quanto à interpretação de textos, nem é necessário que o texto seja das Escrituras. Qualquer texto em nosso vernáculo serve. Procedamos uma pequena análise de nossa própria língua em três pontos como se o texto bíblico isolado não fosse bíblico...
1) Usando o próprio raciocínio dele, "isto" não poderia se referir a "ser salvo pela fé", mas a "ser salvo pela graça, por meio da fé". Isto é o que o texto diz. Ora, a graça não é nossa, mas divina, e o meio que ela, a graça, utiliza para salvar é doar a fé. Fé é dom a partir da graça, de Deus mesmo, portanto. Assim, se ele fosse fiel ao próprio critério, deveria chegar a uma resposta correta, ainda que pelo princípio errado.
2) Ainda usando os critérios do comentador, "isto" remete a "todo um sistema de coisas que não pode estar determinado nem no feminino nem no masculino". Todo um sistema de coisas? Bem, "isto" então pode ser qualquer coisa. E se é possível assim fugir do texto para lhe dar sentido, eu diria que "isto" pode significar um outro algo qualquer que não seja nem graça nem fé. Humm, mas aí simplesmente não sabemos o que "isto" seja. Ou então, já que "isto" é "todo um sistema de coisas", talvez se refira tanto à graça quanto à fé, quanto a tudo o mais. Bem, neste caso pelo menos estaríamos próximos da verdade, pois de fato tudo é dom de Deus, pois por Ele criado! De todo modo, embora este último raciocínio acerte, ele ainda é bastante confuso!
3) Eu aprendi ainda quando estava no antigo primeiro grau, sei lá em que série, mas ainda bem pequeno, que um autor, ao mencionar duas palavras e voltar a se referir a uma delas, utiliza os termos "isto", "este", "esta" para a mais próxima e "aquilo", "aquele", "aquela" para a mais distante. É claro que "isto" se refere a toda a sentença, não ao termo "graça" ou ao termo "fé", como eu disse no ponto 1. Porém, a fé é que é propriamente o dom, juntamente com a salvação (que é o que diz a sentença e, afinal, ambas, salvação e fé, estão intrinsecamente ligadas como dons de Deus), pois a graça é o atributo divino que significa o próprio doar.

Já nem me espanto com essas coisas, embora elas ainda me irritem. Comentários mal escritos e confusos são comuns. Este nem é assim sem, no entanto, deixar de demonstrar a ignorância generalizada de nosso povo. As pessoas não sabem escrever, porque não sabem ler. Não sabem ler porque não lêem. E, quando fazem, impõem a si mesmas nos textos, ao invés de buscar nele seu sentido.

Isso tudo é por demais deprimente! Mesmo assim, a postagem é interessante. Vou visitar o Heitor para ver a postagem de origem!

Abraço, no Senhor,
Roberto

Heitor Alves disse...

Roberto,

Faz um tempinho que terminei meu segundo grau, mas me lembrei rapidamente quando você citou a regra de português do "isto" e "aquilo". De fato, se prestarmos atenção, o "isto" está se referindo ao mais perto, a fé.

Realmente, para um comentário tão estúpido feito pelo Paulo, nem precisa usar a Bíblia, mas uma boa regra de português!!!

Ricardo Mamedes disse...

Caro Roberto,

A defesa do Paulo é de fato extremamente frágil, mesmo à luz do vernáculo. É claro que o "isto" a que ele se referiu em Efésios 2:8 remete à universalidade da sentença, ou seja, tanto à graça como à fé. Obviamente que se a ênfase fosse na graça (se somente esta viesse de Deus e a fé do homem) a locução a se usar sera "aquela". Vejamos como ficaria: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e 'aquela' não vem de vós, é dom de Deus".

Você foi cristalino na sua explicação.

Obrigado pela visita e pelo excelente comentário. Com relação ao que eu disse lá no "Eleitos de Deus", repito aqui: aprendi muito com as lições recebidas de você e dos demais amigos e irmãos citados, exatamente em um momento em que eu andava muitíssimo confuso.

Heitor,

Agradeço mais uma vez a sua visita. Aproveitei para postar o comentário que fiz na sua "casa", e pelos motivos acima não postei todos, mas remeti ao sei site, como vê. Os seus textos são excelentes e muito propositivos.

Um grande abraço!

Em Cristo,

Ricardo

Roberto Vargas Jr. disse...

Caros Ricardo e Heitor,

Agradeço as referências elogiosas. Vocês me são muito corteses!

Apenas mais um complemento ao meu comentário... Nos pontos 2 e 3 eu mencionei "graça", ao invés de "salvo pela fé" e mesmo o ponto 1 poderia ser lido (mal lido, diga-se) como uma ênfase na graça ao invés de na salvação. Bem, talvez o Paulo ou algum outro leitor possa querer me acusar do crime que acuso (má leitura e/ou interpretação), pois de fato não é da graça, mas de ser salvo que o Paulo (o comentador, não o apóstolo!) fala. Isso realmente seria uma falha minha, se o que eu disse perdesse o sentido. Acontece que não perde. Porém, para que evitemos tal crítica, sejamos rigorosos quanto ao que nós mesmos dizemos e sejamos fiéis ao que disse o Paulo.
Para isso, farei mais uma postagem da série discussões alhures (ah, Ricardo, obrigado pela referência! rs) de forma a colocar todas as coisas em seu devido lugar!

Grande abraço, nEle,
Roberto

jésia disse...

Bom! Por mais que seja impossível para um calvinista e para um arminiano, acho que podemos compactuar com idéias de ambos. Nunca encontrei um texto em livros, internet que troussesse me luz a este respeito. Prefiro ficar com uma posição mais equilibrada, sem extremos e partidarismos. Acredito que é possível pensar desta forma e ao mesmo tempo reconhecer a eficácia da maravilhosa graça de Deus bem como sua insondável soberania. Não sou teólogo, sou apenas um pequeno aprendiz em matéria mas aprendi a apreciar temas polêmicos e alguns debates. Mas tenho observado algo prejudicial: o vício em alguns temas na blogosfera.

Waldez Pantoja disse...

Grande parte dos argumentos arminianos tiram a soberania de Deus e delegam ao homem espiritualmente morto.

Waldez Pantoja disse...

Não há como dissociar a fé; a graça;e a salvação. Os tres vocabulos estão ligados entre si. Tudo provem de Deus.

Ricardo S. Brito disse...

A fé é dom de Deus pois não existe nada que o homem tenha ou seja que não lhe venha do criador!

No entanto, se o defensor do livre-arbítrio disser que o dom não é a fé mas a salvação não melhora o seu caso, porque se o que é dom é a vida eterna então voltamos ao mesmo!!!

Se é DOM, e nem todos a recebem, é porque não foi dada a todos... mas se de algum modo ela vem em troca de outra coisa então já não é dom mas salário... se exige fé, e se a fé é obra nossa mantida a muito custo e preserverança então a salvação gratuita fica bastante cara!!!

A própria fé, é o testemunho de que a graça nos sobreveio para nos salvar.... o simples facto de crermos é a prova de que ELE nos fez renascer da semente INCORRUPTÍVEL, o novo coração de acordo com o de Deus o qual está moldado conforme Cristo e não "livre" ... um coração livre seria um coração sem forma, uma vontade sem ancoras, e isso não existe pois todos temos uma natureza e todos agimos conforme ela conforme o criador no-la fez ...

Como João sabiamente dizia "nós O amamos porque ELE nos amou primeiro"... quanto aos que não O amam é porque ELE não os amou primeiro, e como está escrito lhes dirá no último dia "nunca vos conheci".

Nilson Lima disse...

Graça e paz irmãos, quero aqui colocar algo da minha experiencia pessoal e que acredito ser o motivo de tanto debate. Eu cria como os arminianos e fui instruído a refutar os textos, e todo o calvinismo. Porém comecei a fazer estudos das cartas de Paulo, sem "pinçar" textos e acredito de verdade que o caso é de iluminação, de revelação. A nossa mente embotada pelo pecado, não consegue admitir o texto pelo texto. É cegueira mesmo, que só a revelação e iluminação do Espírito Santo consegue clarear a mente embotada e entenebrecida. Entendi que a salvação se olha do lado de Deus. Eu só a olhava do lado humano, pela perspectiva humana, Eu acredito de verdade que o Espírito santo por misericórdia me revelou. Nem foi calvino, nada disso, mas as Escrituras sob a influencia do Espírito Santo. Muitas vezes queremos discutir um assunto que somente pela influencia do Espírito se pode chegar e entender. Hoje sou um reformado, amo mais a Deus, sinto segurança no que ele fez, não no que eu faço e se faço algo para ele, é uma resposta de gratidão. Não é as regras de português que farão uma pessoa se convencer, só mesmo a loucura da pregação pelo poder do Espírito santo.
O homem natural não vai entender coisas espirituais por mais cristalinas que sejam.
Hoje quando lido com uma pessoa que não crê nas doutrinas da graça, oro muito para que Deus a ilumine (foi o que Paulo fez pelos efésios no Cap. 1) pois no campo dos argumentos, não pode vencer quem tem o melhor argumento, mas aquele a quem Deus revelar e quiser revelar sua graça.
Mesmo os calvinistas tem de entender que o debate não pode ficar só no campo das idéias. Ninguém será um convertido de fato, só um convencido e isso não lhe resolve a vida espiritual.
Por isso orem por essas pessoas, peçam que leiam as cartas de Paulo sem pular versos, sem ficar pegando esse ou aquele verso, que entendam a mente do apóstolo e o sentido do texto todo.
Na verdade a reforma aconteceu assim, não foi?
Deus iluminou a mente dos reformadores, de Lutero e outros.
Creio que a diferença deles e nós é que esquecemos que quem de fato convence alguém, não somos nós e nem o melhor argumento, mas Deus que só salva pela loucura da salvação.
Se irritar ou agredir somente afastará a pessoa da verdade.
É nossa obrigação pregar o mais claro possível, que não sejamos nós o impedimento da pessoa a quem pregamos, dela não entender a mensagem, mas devemos fazer isso sempre num espírito de mansidão e temor, pois estamos lidando com uma alma eterna e que pode ser um eleito, ou mesmo um contraditor.
Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente.
Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade,
para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade.
2 Timóteo 2:24-26
Se a intenção for somente ganhar o argumento, ganhou, mas perdeu. E a finalidade do site está tb pervertida pelo pecado como ensina a doutrina depravação total, que diz que tudo o que tocamos contaminamos com o nossa natureza pecaminosa.
Falhamos logo na base da doutrina e não pregamos como deve ser.
De coração
Nilson Lima

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