sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Breve balanço do ano que passou e expectativas para o vindouro


É difícil analisar o que fizemos e deixamos de fazer com verdadeira imparcialidade. Tendemos a dar maior peso ao que fizemos de bom e passar ao largo do que não nos traz boas recordações, relativizando as atitudes e eventos que nos causam vergonha.

O que fiz de bom e de mau neste ano de 2010? Impossível enumerar com fidelidade, pois os eventos se sucedem com grande rapidez. Posso ter uma visão geral, um sentimento sobre o todo, a capacidade de pesar os eventos e atitudes, e ainda assim não ser completamente imparcial; eis que estou falando de mim mesmo .

Incorri em erro, muitas vezes, indo além do que deveria. Cometi o pecado do excesso ao dizer o que penso com extrema crueza. Fui julgado duramente nessas oportunidades e outras vezes julguei com igual dureza. Fui contraditório tantas vezes e outras ainda, julgado contraditório sem ser.

Tentei acertar sempre, mas é claro que nem sempre consegui. Outros acham que podem e se julgam quase perfeitos, ou mais, fazendo um juízo superlativo de si mesmos.

Errei, errei e errei. Arrependi-me de não me calar quando deveria. Gritei e fiz retumbar a minha "voz" quando o melhor seria ter calado. Sou esta espécie estranha que compõe a humanidade, cheio de altos e baixos; caindo e levantando.

Acertei em inúmeras oportunidades. O balanço , o inventário não posso fazer. Tenho apenas uma visão geral dos acontecimentos. Espero ter acertado mais e errado menos do que gostaria. Há muitos que pensam não errar, colocando-se em um patamar em que simples mortais não podem alcançar.

Tenho alguns amigos, os quais admiro, aprecio verdadeiramente. Tenho muitos irmãos que verdadeiramente amo. Mas não pertenço a nenhum "gueto", nem corporação. Consigo avaliar as coisas com honestidade, sem pender para lá ou para cá, ao sabor das minhas paixões. E é muito mais fácil ser aceito pelo "grupo", ou por um grupo, quando você pertence a ele. Eu não pertenço a nenhum, apenas tentando ser leal aos valores cristãos que me guiam. E ainda assim, erro, erro e erro.

Sou menor do que gostaria e maior do que muitos medem. Sou ainda muito menor do que a medida que muitos amigos e irmãos imaginam que tenho: a "fita métrica" deles é generosa...

A tantos que leram os despretensiosos textos publicados neste humilde espaço durante o ano de 2010, obrigado. Agradeço sinceramente. Cada comentário aqui publicado fez a minha alegria, ainda que não concordando com os meus textos. Cresci com a diversidade, com as diferenças, com o inusitado. Cresci ao saber que tantos pensam muito melhor do que eu mesmo; e com a grandeza de alguns pude enxergar a minha própria pequenez. E, enxergando as minhas mazelas, a minha insignificância, segui adiante. E cresci.

Tenho as minhas convicções bem firmes, bem plantadas e elas caminham de encontro ao Verdadeiro e único Evangelho. Quero continuar assim, ainda que propenso a mudar para melhor. Critico e sou criticado; estou aqui exposto e estou sendo avaliado, mas igualmente medirei quem me avalia. É..., todos temos "lentes" - e não quer dizer que as do meu oponente no debate sejam mais claras do que as minhas. Se achar que são embaçadas, direi. Aceito, igualmente, que digam o mesmo das minhas.

Continuarei por aqui até quando Deus quiser, rogando a Ele que me dê sabedoria, equilíbrio e sensatez.

Que o próximo ano seja repleto de Deus em nossas vidas. Que aprendamos, cada dia mais, a depositar nEle as nossas expectativas, pois o seu jugo é leve e as suas promessas jamais falham.

Um abraço a todos . Cristo seja a nossa luz e que possamos refleti-la. Ousemos no próximo ano e que não sejamos insossos e insípidos, mas que possamos temperar este mundo.

Ricardo Mamedes.


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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Explicações necessárias: teonomia, fariseus e amigos


A crítica de modo geral é uma coisa complicada, seja no pólo ativo ou passivo. Ora criticamos e ora somos criticados, e em ambos os casos as consequências podem ser inesperadas. Outras vezes os pólos mudam rapidamente, passando de críticos a criticados e vice e versa.

A pequena introdução vale como tentativa de explicar um episódio que ocorreu em alguns blogs reformados dias atrás, quando alguns irmãos se desentenderam em torno da "teonomia": uns se colocando favoráveis a uma determinada visão, enquanto outros defendendo o seu próprio ponto de vista, com interpretações completamente diversas.

E foi em meio a um desses embates que "aportei" no blog "5 Calvinistas" (5calvinistas.blogspot.com), deparando-me então com um texto da lavra do Reverendo Helder Nozima com o título: Internautas cristãos ou fariseus do século XXI? Confesso que estranhei o título do post, porque vi uma clara vinculação aparentemente depreciativa a um outro blog de viés reformado (http://internautascristaos.blogspot.com).

Recentemente tive um duro debate com um irmão arminiano a respeito das doutrinas que tenho como regra de fé, estando mesmo acometido de certo desânimo com as discussões entre irmãos a desaguar em mágoas, ressentimentos e, quando não, em rompimentos definitivos. Porém, no caso destes irmãos, tratam-se de pessoas que professam a mesma fé, todos reformados, com cosmovisões muito assemelhadas ou mesmo idênticas. Fiz então a minha pequena crítica lá naquele post e escrevi um texto no meu blog, não específico (aqui), criticando de certa forma o "tom" usado pelo Reverendo Helder contra os seus oponentes. Vale salientar que não fui compreendido , pois , ao mesmo tempo em que me alinhava com o Helder na questão da teonomia, exortava-o a usar um tom mais comedido com o(s) irmão(s).

Logo depois da discussão que tivemos eu e o Reverendo Helder Nozima em meu blog (ver comentários aqui), voltamos a interagir, quando fui informado por ele que a "querela" já vinha se desenrolando há algum tempo, com acusações de parte a parte - fato que eu desconhecia. E nesse ponto, sou obrigado a reconhecer que assiste razão ao Helder em não compreender a minha crítica. Sim, havia fatos pretéritos que eu desconhecia (ver posts: aqui, aqui , aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui ). Eis que fiz uma crítica àquele escrito sem me atentar para as causas anteriores - e nesse ponto faço o meu "mea-culpa" com o Reverendo Helder Nozima. Devo-lhe um pedido de desculpas, que faço publicamente neste momento.

No entanto, não aceito as acusações igualmente feitas no sentido de que eu estivesse de certa forma apoiando o oponente (Internautas Cristãos), por ter com seu editor uma relação de proximidade em razão de editarmos um blog comum ("Leitores da Bíblia"), ou, ainda, por posicionar aquele blog na lista de "favoritos" do meu blog pessoal. Ser parcial não é mesmo do meu feitio, como afirmei ao Helder naquela oportunidade, posto que estimo e considero a ambos. Se, porém, o segundo critério para a propalada "parcialidade" é manter o "Internautas Cristãos" na lista de favoritos, igualmente não procede a acusação, pois mantenho na mesma lista e há muito mais tempo o blog pessoal do Reverendo Helder Nozima, "Reforma e Carisma".

Em todo o imbróglio, há algo que merece referência e explicações da minha parte: o uso de imagem idêntica em meu post, à daquele post com crítica ao Helder ( aqui e aqui ). Há coincidências que não podem ser explicadas, se é que elas existem. O fato é que eu não havia lido aquele texto, não o havia visto e sequer jamais havia acessado aquele blog, até onde me lembro. Todavia, reconheço que o Helder possuía todos os elementos para concluir que eu estivesse "alinhado" aos seus oponentes, o que não procede. A verdade é que a nossa mente pode criar situações inexistentes a partir de ilusões e coincidências.

Por fim, reafirmo que me alinho às argumentações do Reverendo Helder Nozima no que concerne à "teonomia", da forma como é defendida por seus oponentes. Ou melhor, para ser bem claro, sou contra pelos mesmos motivos longamente explicitados nos textos declinados nos links em epígrafe, provenientes do "5calvinistas". E, quanto ao tom, retiro a minha crítica, depois de saber de todas as controvérsias e textos anteriores.

Outrossim, espero que todos nós possamos conviver em harmonia, ou pelo menos em "harmoniosa disputa", quando for o caso, ainda quando não for possível o consenso. Sem esquecer que a nossa meta é expandir o verdadeiro Evangelho, anunciando a boa nova a todos.

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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Graça e soberania divina


Já faz algum tempo que decidi terminantemente não tratar de questões reformadas com arminianos confessos e convictos, especialmente no que concerne a predestinação e eleição; enfim, não discutir com eles as doutrinas da graça. É que os tais nos acusam de heresias, mesmo quando nos firmamos exclusivamente em textos bíblicos devidamente contextualizados. Os arminianos, no entanto, não somente descontextualizam os seus, como atropelam os nossos.

Cansei das longas discussões. Outrora eu ainda travava os tais embates em ótimos blogs reformados como o cinco solas, mas verifiquei que nada se produzia, uma vez que os oponentes continuavam cada vez mais empedernidos na sua cosmovisão, resistindo veementemente aos próprios textos bíblicos com argumentos extra-bíblicos ou inteiramente incoerentes, no afã de se agarrarrem, qual náufragos, em sua pequena tábua. E então, mantive-me quase recluso, restrito às trocas de experiências com irmãos reformados e alguns poucos que não se definem teologicamente e tampouco querem fazê-lo - e eu os respeito, pois são ótimos cristãos.

Acredito que não é a nossa cosmovisão que nos leva a Cristo, mas o próprio Cristo, por intermédio da graça proveniente de Deus-Pai (Efésios 2:8-9). Temos uma vontade real e fazemos escolhas "livres", porém não-autônomas. Grosso modo, defino isso de graça, proveniente de um Deus absoluta e irresistivelmente soberano.

Pois é, fiel à minha opção de não discutir com arminianos as doutrinas da graça, dia destes voltei a um blog de viés arminiano para discutir um texto de autor reformado, versando sobre a perseverança dos crentes. Postei o meu comentário concordando com o texto e associando graça a soberania, o que bastou para que uma longa discussão se travasse em razão do meu comentário, pois, segundo o crítico, a minha associação denotava uma visão estreita. Não estou aqui a combater o crítico, mas a provocação me fez refletir sobre o assunto, dando azo a este despretensioso texto que não quer ser um tratado teológico - que fiquem bem claras as duas afirmações.

E depois de muito refletir, não somente volto a afirmar como a corroborar que graça e soberania divinas estão inapelavelmente associadas, na medida em que a primeira ação é, por força de definição simples, " favor imerecido para a salvação", enquanto que a soberania é a ação que provém de Deus sem encontrar limites, obstáculos ou entraves. Portanto, graça está associada à soberania de Deus na medida em que provém essencialmente dEle; somente Deus pode concedê-la à criatura mediante o seu beneplácito (Filipenses 2:13). À luz da passagem bíblica citada, Deus, exclusivamente Ele, possui a capacidade de efetuar em nós tanto o querer como o realizar.

Vejamos mais especificamente a definição dos termos graça e soberania divina tanto pelo "Dicionário Bíblico Almeida" , como também a raiz das palavras no original hebraico e grego (Strong):

GRAÇA (DBA2) - 1) O amor de Deus que salva as pessoas e as conserva unidas com ele (Sl 90.17; Ef 2.5; Tt 2.11; 2Pe 3.18).
2) A soma das bênçãos que uma pessoa, sem merecer, recebe de Deus (Sl 84.11; Rm 6.1; Ef 2.7).
3) A influência sustentadora de Deus que permite que a pessoa salva continue fiel e firme na fé (Rm 5.17; 2Co 12.9; Hb 12.28).
4) Louvor; gratidão (Sl 147.7; Mt 11.25).
5) Boa vontade; aprovação MERCÊ (Gn 6.8; Lc 1.30; 2.52).
6) Beleza (Pv 31.30).
7) Bondade (Zc 12.10).
8) “De graça” é “sem pagar” (Gn 29.15; Mt 10.8).
(Strong) - 02580 חן chen
procedente de 2603; - 694a; n m
1) favor, graça, charme
1a) favor, graça, elegância
1b) favor, aceitação


SOBERANIA (DBA2) - 1) Domínio; autoridade (Jd 25). 2) POTESTADE 1, (Cl 1.16, RA).
(Strong) - 04467 ממלכה mamlakah
procedente de 4427; - 1199f; n f
1) reinado, domínio, reino, soberania
1a) reino, domínio
1b) soberania, domínio
1c) reino


Portanto, a meu ver, graça somente pode vir de Deus; é qualidade e capacidade personalíssimas do Criador; Ele, tem, pois, domínio na distribuição da referida graça, que não pode ser distribuída por ninguém mais. Portanto, repito, corroboro e reafirmo, que não há como não associar os dois termos ao seu único autor. Assim, forçoso reconhecer que "Deus tem domínio sobre a graça"; esse direito na aplicação de tal beneplácito é exclusivo dEle.

O fato de afirmar ou fazer tal associação não tem o condão de colocar-me em confronto ou em conflito com os meus irmãos arminianos por si só, como ocorreu naquela oportunidade em que fui acusado de ter visão estreita.

A minha afirmação feita acima, antes de se qualificar como provocação aos arminianos, é a prova inconteste da cosmovisão que tenho: sou reformado e creio na "depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível e na perseverança dos santos". Entretanto, o ponto em que se deu a discordância, conforme consigo depreender (embora não sendo fácil, tendo em vista a incoerência da afirmação) é a graça associada à soberania de Deus e perserverança dos crentes (santos). Como se o fazer a afirmação fosse uma "heresia". Mas também é fato que, ao afirmar os cinco pontos que dão origem ao calvinismo, automaticamente nego os pontos em que se afirmam aqueles com a cosmovisão arminiana, sem que isso possa ser confundido com provocação. É simplesmente consequência natural, uma vez que ambas as cosmovisões são excludentes.

Não posso negar, sob pena de incorrer em grave farisaísmo, que a posição arminiana se apresenta aos meus olhos como absolutamente inconsistente, biblica, exegética e hermeneuticamente. Normalmente os arminianos são meio que híbridos em sua soteriologia. Costumo observar que alguns deles afirmam e acatam a depravação total, enquanto negam a graça irresistível, para, evidentemente, negar aquela minha afirmação primeira (associação entre graça e soberania divina). E é bem nesse ponto que se dá a maior incoerência, pois em se considerando a depravação (total) da humanidade pós-queda, não há a menor capacidade de autonomia humana (livre arbítrio) no processo salvífico (Romanos 3-10-12 , 23). Porém, vá fazer com que eles entendam...

Difícil imaginar que um bando de mortos espiritualmente possa ter em si mesmo algum resquício de capacidade, estando mortos. E é nesse ponto que os apóstolos Paulo e João são irrefutavelmente claros:

Efésios 2: 1 Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, 2 nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; 3 entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. 4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, 5 e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, 6 e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; 7 para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. 8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.

Romanos 5: 12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
Romanos 5: 15 Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.
Exatamente por estarem mortos e sem qualquer capacidade para escolher crer ou se salvar é que Deus, na sua completa e absoluta soberania e poder, chamou alguns dentre pecadores, por intermédio da graça (irresistível) para que sejam salvos (Romanos 9:11-23), enquanto outros foram reprovados:

João 17: 8 porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste. 9 É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

João 6: 37 Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.
João 6: 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
A fé não é de todos porque Deus não a concedeu a todos , mas apenas aos seus eleitos (Tito 1:1-2 e 2 Tessalonicenses 3:1-2). E aqueles que vêm a crer fazem-no pelo chamado de Deus (...e esse virá a mim).

A eleição não tem a ver com nação ou igreja , mas com indivíduos; o contexto bíblico de modo algum leva a esse entendimento torto, senão tortuoso (Romanos 8:28-30, 9:11-23). Aqueles que assim entendem, de certa forma tornam esse Deus mais "injusto" ainda, ao eleger uma universalidade.

Portanto, afirmo, reafirmo e corroboro, exclusivamente firmado nas Escrituras, obedecido o seu contexto imediato e mediato, que ninguém pode resistir à graça, não pode escolher ter fé por seus próprios meios e méritos, por estar morto espiritualmente; e que esse mover cabe exclusivamente a Deus, através de Cristo, morto e ressurreto.

Quanto à discussão com arminianos, continuo cada vez mais renitente em tê-la.

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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"Mea maxima culpa"


Confesso que sou culpado, a falha é toda minha... sou culpado quando me embrenho em longas e cansativas discussões que nada acrescentam ao meu conhecimento e tendem a fazer-me menor do que sou - e olha que não sou lá grande coisa!

Reconheço a minha culpa, a minha máxima culpa.

Sou ainda mais culpado por me entediar com as tais discussões, e ainda assim, deixar que o tédio inicial se transforme em ira. Mereço a gastrite de agora! E mais, mereço a ausência do bom sono de outrora...

A culpa é toda minha, ao me deixar enredar inutilmente pelas provocações infantis, quando a melhor opção seria sair de fininho, sem tocar o sininho, bem caladinho ...

Sou culpado por ser reformado. Sou xingado, pisado, escamoteado!

Por ser calvinista, acusam-me o ser capitalista; de não ter "amor", e o pior de tudo, ser conservador. Ó que dor!

Doravante, porém, evitarei o ignorante, com as suas mesuras, falsas e impuras.

Da mente dormente do ser maldizente, correrei além do poente do sol reluzente.

Se porventura aquela alma impura, fazendo mesura aqui vir toda pura, ah, levará uma "dura"!

E tenho dito, senhor Expedito, ou será o Benedito???


Ps: a partir de agora, vou rir pra não chorir - opa, chorar!

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sobre Cristo e sobre calvinismo




É tempo de falar de Cristo, sempre é tempo. É tempo de falar de bondade e de amor. É impossível falar de Cristo e ao mesmo tempo negligenciar bondade e amor, ou tornar-se indiferente a tais sentimentos e ainda assim anunciar-se como cristão.

O calvinismo é o reflexo mais perfeito do único e verdadeiro Evangelho. O Evangelho é Cristo e Cristo é amor e é bondade. O Cristo que veio e se esvaziou, tornando-se homem e suportando as mais vis humilhações para salvar o mesmo homem que o crucificou. Ora, por isso mesmo o Evangelho é loucura para o homem que não crê. Para mim, no entanto, o Evangelho é belo e maravilhoso, porque é a minha salvação em Cristo. Eu preciso anunciá-Lo para tantos quantos queiram ouvir...

Tão grande salvação a mim ofertada gratuitamente, mesmo sendo eu pecador, requer que eu glorifique a Deus incessantemente, que eu reconheça nEle a plena soberania, e que eu me diminua cada vez mais, tal como João, o Batista...

O Cristo crucificado não permite que eu me vanglorie, tampouco que me ensoberbeça. Cada gota do seu precioso sangue derramado na cruz do calvário exige de mim um esvaziamento do maldito "eu", capaz de me induzir à soberba e arrogância , quanto mais me sinto autossuficiente. Eis que fui comprado e resgatado por grande preço.

Ultimamente tenho visto alguns amigos cristãos calvinistas armados com a sua sabedoria a digladiarem entre si. A arena é este espaço virtual, as espadas afiadas as letras. Estocadas se sucedem de lado a lado. Sangram no combate ferrenho, pois nenhum dos contendores admite "perder" a peleja. Enquanto isso, sangra mais ainda o Cristo crucificado, em uma terrível e excruciante permanência...

Não se admite transigir, porque transigir é perder. Contemporizar ou relevar é, para os "gladiadores", símbolo maior de covardia. É mister demandar e demandar; litigar e litigar; bater e bater. Os cristãos, agora transmudados em contendores, perdem-se em seus longos arrazoados, enraivecidos, irados. Já não é o Cristo, decididamente, que os induz à batalha, posto que o Salvador assim ensinou:

Mateus 5: 38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. 39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; 40 e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. 41 Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.

Esse calvinismo arrogante e soberbo, do "olho por olho e dente por dente" não é o que eu desejo praticar. Ainda que eu não consiga oferecer a outra face, buscarei sempre seguir os ensinamentos, tentando ser imitador do mestre. Não vislumbro qualquer benefício nas contendas, no linguajar agressivo, na hostilidade, na truculência, ainda que travestidos de uma aparência cristã. Não quero essa sabedoria! Lembrando Tiago, quero "estar pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para irar" (Tiago 1:19-20). Buscarei praticar a Palavra e não apenas ser um ouvinte não participante; vendo no "espelho", não o homem natural, mas o homem espiritual, resgatado e redimido (parafraseando o autor citado em epígrafe).

Não aceito o argumento falacioso da falsa humildade, que muitos calvinistas, meus pares, justificam para ativar as suas contendas, ataques, "estocadas" e inconfidências, alegando o pretexto da "exortação" ou "admoestação", uma vez que ambos devem ser acompanhados de serenidade e mansidão. Prefiro ser considerado tolo e estulto, a participar de tais contendas e dissensões , se assim for necessário para que seja considerado sábio. Aliás, pouco me importa a sabedoria deste século.

O Evangelho me ensina a calar para que não sobrevenham contendas, principalmente com os domésticos da fé. Certamente é preferível me humilhar agora, para que seja exaltado depois (Lucas 14:11).

Antes de ofender o irmão, não custa nada lembrar que "a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira" (Provérbios 15:1).

Por fim, reconheço não ser fácil a caminhada cristã; estamos sempre meio trôpegos, nesse andar quase claudicante. Porém, façamos tudo para "não entristecermos o Espírito de Deus, no qual fomos selados para o dia da redenção, sem amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia" (Efésios 4:30-31).



Ps: Que fique bem claro que não estou a generalizar , incluindo todos os meus amigos calvinistas na querela, mas alguns. E refiro-me a um episódio específico envolvendo uma discussão ocorrida em um blog que acompanho, envolvendo irmãos que estimo. O que não impede a minha tristeza e admoestação, através deste post. Os demais irmãos calvinistas, verdadeiros amigos que frequentam este blog, não se sintam incluídos, por favor.

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terça-feira, 30 de novembro de 2010

Calma: conselheira dos sábios




Houve uma vez, há alguns anos, que participei de um julgamento pelo Tribunal do Juri, na qualidade de advogado de defesa. Terminado o julgamento, nem a minha tese e nem a do Ministério Público foram inteiramente vitoriosas, posto que, enquanto eu defendia a absolvição do acusado, o Promotor de Justiça lutava pelo seu libelo , pela condenação, por homicídio duplamente qualificado. Por que não houve vitória para qualquer dos lados? Porque houve condenação por excesso culposo. Essa figura jurídica, grosso modo, se caracteriza pelo uso excessivo da legítima defesa. Vale dizer que o sujeito está com a razão, mas usa de força desproporcional no intuito de se defender. É mais ou menos por aí.

A lembrança do fato jurídico me veio ainda hoje, ao ler um post muito bem escrito, refutando um outro. Acompanho o raciocínio do articulista, dou-lhe inteira razão quanto ao conteúdo e fundamentos do escrito, mas discordo do tom. Seria perfeito se o tom fosse menos belicoso. Reafirmo que a hostilidade gratuita, desnecessária, enfraquece os fundamentos do escrito, ainda que não possa ser considerado ofensivo.

Discordo dessa conversa tão em voga nos meios acadêmico-teológicos, especialmente usada por intelectuais belicosos, no sentido de que na argumentação tudo é permitido, desde que circunscrito a certos aspectos morais e éticos. Antes que me acusem de defender uma falsa camaradagem cristã, falsa humildade ou falsa piedade, quero me antecipar aos supostos detratores afirmando veementemente que não! Acredito que a verdade pode e deve conviver bem com a boa educação, com a civilidade e com o respeito ao próximo, especialmente com os domésticos da fé.

Começo a sentir "urticária" logo que vejo uma pretensa casta a se afirmar em tudo. Na superfície, eles defendem a completa liberdade de expressão e crítica, porém, os seus argumentos são sempre irrefutáveis... Como que se arrogam a donos da verdade, já que todo e qualquer argumento contrário tecido contra aquela postura é reputado como nada!

É, de tudo isso também me canso.

Confesso que sou avesso a grupelhos. Mesmo cristãos, quando se unem em "pacto de mútua proteção", tornam-se cansativos e pretensiosos.

Penso ser possível e salutar refutar o interlocutor com uma certa sobriedade, mais ainda quando se trata de um irmão cristão. A truculência, ainda que respaldada em argumentação bem elaborada , continua nociva ao desenvolvimento do diálogo. E não perde aquele caráter de truculência.

Obviamente que não defendo a hipocrisia disfarçada de amor cristão como obstáculo à defesa da Verdade escriturística. Isso é balela, falácia de fraudadores! Assim como também me posto diametralmente contra o endurecimento gratuito, a palavra desnecessariamente rigorosa, a dureza excessiva. O que se ganha com isso entre cristãos? Onde levará essa disputa?

Amedrontam-me os que citam as palavras de Jesus contra os fariseus para justificar o seu tom, qualquer que seja. Acho a postura no mínimo temerária. O contexto em que Jesus disse aquelas duras palavras (raça de víboras) pode não se aplicar ao exemplo citado, tampouco os autores se confundem...

O certo é que por vezes todos nós erramos, seja na argumentação ou no tom. A crítica é salutar, desde que postada nos limites do respeito e da civilidade - e do amor cristão, por que não?


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sábado, 27 de novembro de 2010

Sobre o meu desânimo...



Engolfado pelo desânimo eis-me aqui. Não que não tenha o que falar, pois eu tenho, e muito! O texto está definido em minha mente, as palavras são arquivadas, o raciocínio salva-se intacto. E ainda assim, perdura o desânimo, a me impedir de tornar as palavras factuais. A última fase, o colocar as palavras, a efetivação do raciocínio para ultimar o texto é que teima em não acontecer.

É um desânimo sem razão aparente, tal qual a languidez dos preguiçosos contumazes, mas sem rancor e sem dor. A tristeza não acompanha este meu desânimo, não há amargura a "maculá-lo". Posso afirmar que é um desânimo "limpo", quase inocente.

Pode até ser que eu esteja afetado por um conjunto de informações "subliminares", teimando em batucar no meu inconsciente sem que eu saiba, mas sentindo os efeitos colaterais desse registro oculto. Resultado dessa languidez, quase tristeza, pode até ser a observação quieta de mesquinharias que vejo aqui e acolá. Mesmices a se multiplicar nesse rico mundinho virtual; homens que se constroem e se desconstroem em instantes fugidios; personalidades que se aclaram, emergendo sem os disfarces cuidadosamente cultivados... Parece que este meu desânimo me confere a "oportunidade única" de ver as mazelas alheias, ao mesmo tempo em que penso sobre "a trave que recai sobre os meus olhos opacos...

Quantos sepulcros caiados recheados de ossos secos e pútridos! Quanta arrogância , quanto orgulho mal disfarçado! E o meu desânimo a crescer...

Sim, eu também tenho as minhas mazelas, a minha fatia de insensatez. Sou pleno na minha humanidade, mas deixo que os "outros" se preocupem em me (des) qualificar. Certamente que alegremente o fazem!

Como cristão sou pequeno. Na vida, não chego a ser expoente em nada. Mas houve tempo em que eu pensava ser... Melhor agora, que sei não ser. Porque não sendo, posso almejar ser...

Há pessoas que se sentem grandes, agigantadas pela sua própria pretensão; e este olhar torto de si mesmas fazem-nos ainda menores do que são. E eu vejo tudo isso. E o meu desânimo aumenta...

Todavia, sou um cristão, pequeno que seja, mas sou! E sendo, devo amar os meus semelhantes, mesmo os piores, ainda que sejam verdadeiramente grotescos. Sou bom? Sou nada! Que a minha afirmação anterior seja levada a sério! Não quero correr o risco de ser tachado de "bonzinho", ou de vender uma imagem falsa de mim mesmo.

Aqueles que me conhecem, sabem bem como sou: um emaranhado de qualidades e defeitos, assim como a maioria dos meus semelhantes, com exceção daqueles que se querem invulneráveis às misérias e mazelas próprias da humanidade falha, leviana e inconstante. Eu me canso desses tais... são pessoas que não admitem a crítica, por menor que seja. Quero me relacionar com os irmãos pequenos como eu mesmo sou. Eles não me intimidam. Mas, como eu, são também pecadores que encontraram o Redentor , creditando a ele, somente a ele, todo o mérito pela redenção em processo.

Nada tenho mesmo a dizer, caros (poucos) leitores , a não ser, declarar este meu desânimo. Porém, com a esperança imorredoura de que vou seguindo, às vezes firme, outras não; caindo e levantando, mas mantendo a esperança intacta de que Cristo vive em mim. E tudo que sou - mesmo este pouco - sou por intermédio dele.

Honra e glória ao Altíssimo!

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Sai pra lá capiroto!




Nada melhor para trazer o bom humor de volta - e que me desculpem a redundância - do que ouvir boas histórias. Principalmente histórias de "crente".

Confesso que andava meio acabrunhado nos últimos dias, querendo escrever algo, sentindo falta disso, mas a inspiração e a vontade definitivamente não floresciam. As teclas do computador queimavam os meus dedos. Eis que então recebo um telefonema do meu querido irmão Tairone, um cristão respeitável, tradicional (no sentido de manter-se na suficiência das Escrituras), conservador até as "raízes dos cabelos". Porém, outras qualidades compõem o caráter do mano, e uma delas é o bom humor, a grande capacidade de narrar histórias, contar "causos" . As narrativas são permeadas de um riso alegre e incontido, com a força de levar o interlocutor às gargalhadas, o que acontece comigo praticamente todas as vezes em que falamos, tanto pessoalmente como por telefone.

Pois bem, da última vez não foi diferente. Telefone toca, Tairone na linha, cumprimentos iniciais, amenidades tantas e lá vem ele com a sua história:

-"Ricardo, você nem imagina o que me aconteceu, fui convidado a participar de um culto numa congregação por um grande amigo e lá fui ter com ele. E chegando lá..."

Farei uma pequena interrupção para explicar que o meu irmão detesta misticismos. É um cristão estudioso, inteligente, com raciocínio bem elaborado e, principalmente, racional, na medida em que consegue exercer um cristianismo focado na Palavra e sem qualquer necessidade de "outras vestimentas", emocionalismo, êxtase, etc.

A narrativa segue seu curso, enquanto eu, imaginando o que viria, já começava a me divertir:

- "...Chegando lá já vi logo uma senhora sentada à frente no pequeno templo com um baita véu branco cobrindo-lhe o rosto, e então perguntei ao meu dileto amigo: - que negócio é esse, aqui vocês usam véu, como na igreja Cristã no Brasil? E o pobre, quase tão assustado como eu diz: "sei disso não!"

Olha, confesso que nesse momento eu já estava me dobrando de rir no telefone, somente de imaginar a cara de desgosto, susto e descontentamento do meu irmão. Lembrei-me que quando passei pelo reteté na minha antiga igreja ele me acompanhou todo o tempo, aconselhando, contemporizando e sempre tentando dar uma dimensão menor aos fatos. Mas continuemos:

"... Não sabe disso como? Olha lá a mulher com o véu na cabeça! Imagino que o Tairone pensava lá com seus botões: a igreja é dele, o pastor também, como ele não sabe explicar o véu? Mas vá lá - continuou ele em sua narrativa - "sentamos - e a mulher começou a andar na frente de um lado pro outro... pensei, isso vai dar confusão, esse negócio não está certo. O pastor pregando com todo aquele sobrenatural neopentecostal e a dita mulher do véu andando de um lado pro outro à frente."

A narração segue, enquanto eu, entre risos do meu lado da linha ia prevendo os acontecimentos. Prosseguindo, diz o Tairone:

"...Vi que o pastor foi ficando incomodado. Enquanto isso, um grupo de pessoas ia tendo as suas mãos ungidas, por uma espécie de óleo - e eu ficando mais e mais cabreiro. Eram os tais intercessores. Os sujeitos começaram a andar nos corredores, pegando um aqui e outro ali, abraçando e colocando uma das mãos na testa dos coitados e simultaneamente grunhindo e cochichando no ouvido da vítima por longo tempo."

Confesso que nesse momento eu já começava a passar mal de tanto rir, somente ao imaginar a cara engraçada do Tairone, todo sério, olhando aquela patacoada (e estou rindo muito nesse momento ao escrever isto). Prossegue então ele com a narrativa:

"... quando aqueles caras foram se aproximando de mim eu vi que poderia ser também uma vítima; certamente eu seria, e só de pensar nisso meu estômago se revolvia, o mal estar foi tomando conta de mim. E eles se aproximando... De repente me levantei de um pulo e saí quase correndo do "recinto", sem nem mesmo esperar o meu colega".

Caros amigos, aí eu não consegui mais me segurar, ri até não poder mais, construindo toda aquela cena hilária na minha mente: o Tairone correndo em disparada, escapando de ser todo lambuzado de óleo, enquanto cá comigo eu o via olhando pra trás desesperado, gritando e pedindo socorro (era só o complemento que eu criara na mente no ápice da história) e os "intercessores" na sua "cola", gritando pra que ele parasse pra ser ungido.

Ao fugir do "terreiro" ele me disse que não resistiu a olhar lá de fora, escondido atrás de um carro, à continuidade daquele teatro de péssimo gosto. Até que o seu amigo voltou. Ao retornarem à segurança das suas casas o Tairone passou uma descompostura no camarada acrescentando peremptório: " - não me chame mais pra isso!!!"

Moral da história: Pra encontrar o capiroto, basta ir a uma "igreja" desconhecida na companhia de um "crente" místico.

Ps: Querem saber de uma coisa? Foi muito bom, pois a história me fez rir muito, mudando completamente o meu humor (mas foi bom para o Tairone aprender que eu não exagerava quando lhe relatava as desventuras que passava na minha antiga igreja). Hehehe.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A humanidade em Cristo




O cristianismo nos faz refletir diariamente, estamos constantemente a descobrir "novidades" que emergem da Bíblia. Convivemos muitas vezes a vida inteira com certas afirmações bíblico-doutrinárias sem, contudo, nos aprofundarmos no entendimento das questões. Como que aceitamos o fato óbvio pela fé.

Já não é de hoje que tenho pensado seriamente sobre a humanidade de Cristo. Eu diria que esse "mergulho" se intensificou mais ainda a partir do momento em que sucumbi maravilhosamente às doutrinas da graça, tornando-me um reformado convicto, um calvinista imune a toda e qualquer manifestação ou experiência que não seja bíblica, ainda que "espetaculosa".

Dito isto, e ainda não envolvendo especificamente a pessoa do Cristo, a indagação que deve ser feita é: "O que define a minha humanidade"? O que me torna um homem, um ser humano? Por um determinado aspecto a resposta poderia ser objetivamente sumária: o intelecto, a capacidade de poder reconhecer a minha própria existência, o raciocínio lógico. Porém, eu diria que o que define a minha e a sua humanidade é algo mais. Sou um homem, ao invés de um deus, ou de uma entidade sobrenatural porque tenho um corpo. Portanto, o corpo físico me define como homem e me diferencia de um deus, ou de uma entidade sobrenatural, metafísica, imaterial. Portanto, a corporeidade é uma marca que nos define e nos diferencia dos espíritos puros.

Sou um homem porque tenho uma estrutura física palpável, ocupo espaço, posso ser sentido através do tato e dos demais sentidos. Tenho músculos e tendões; a minha carne sangra; eu me alimento para nutrir e manter este corpo físico.

Cristo, pelas informações que temos na Bíblia - e isso é inconteste - também possuía todas essas características que eu e você possuímos. Logo, pelo aspecto puramente biológico e natural, o Cristo encarnado era inteiramente humano. Não há indício ou evidência mais tênue que lhe tire essa qualidade.

Fui levado à presente reflexão ao ler um post no blog do Pastor Geremias do couto , da sua pena, que exatamente fazia algumas considerações sobre o assunto. E as referidas considerações são muito pertinentes, posso afiançar.

Voltando ao Cristo homem, pelo aspecto biológico não resta a mínima dúvida de que o Salvador encarnado possuía um corpo físico tal como o nosso. Pelo aspecto religioso, metafísico, guiados e orientados pela fé (Hebreus 11), temos a certeza indubitável de que aquele que nasceu da virgem e que foi precedido por João Batista também é Deus. A minha certeza se consubstancia na fé, a mim revelada pelas Escrituras. Cristo foi anunciado ainda em remotas épocas (Salmo 22; Isaías 53), e tal como descrito dez séculos antes do seu nascimento, o seu infortúnio e a sua morte vicária ocorreu com riquezas de detalhes. Portanto, aquele que se encarnou no tempo, morreu crucificado pelos pecados de muitos , gozava de duas naturezas em uma unidade.

Posso afirmar categoricamente que aquele que veio, nascido de mulher, chamado Jesus Cristo, era(é) homem e Deus. Igualmente posso afirmar que as duas naturezas eram e são completas no mesmo ser, pois Deus nada faz incompleto. Outrossim, refutar a certeza bíblica da inteira humanidade e deidade de Cristo é andar perigosamente à beira do abismo doutrinário, flertando com a heresia. Muitos tentaram e foram vigorosamente combatidos, como os arianos, monarquianistas e tantos outros, tendo as suas tentativas frustradas pelos Concílios que sobrevieram (Nicéia e Constantinopla).

Diante do que foi revelado nas Escrituras Jesus Cristo procede de Deus-Pai, sendo a segunda pessoa da Trindade; é eternamente gerado, partilha a mesma substância com Ele (essência), não sendo a Ele subordinado em essência, porém, sofrendo subordinação em relação à função (Deus-Pai e Deus-Filho), especialmente no que se refere ao plano de redenção gestado na eternidade e executado no tempo pelas três pessoas da Trindade: Deus-Pai, Filho e Espírito Santo.

Pelo que foi exposto reafirmo peremptoriamente que Jesus Cristo é eternamente homem e Deus a partir da sua encarnação, com as duas naturezas completas, a despeito de qualquer jogo semântico que se queira fazer com o intuito de inovar a questão.

A ele honra, glória e exaltação!


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sábado, 30 de outubro de 2010

Deus: razão, lógica e fé




A conclusão inabalável a que cheguei depois de muito meditar é que Deus é uma necessidade do ser humano. Você poderá me dizer que essa conclusão é por demais óbvia, uma vez que Ele é o Criador, sustentador e mantenedor da vida. No entanto, a minha afirmação inicial tem um alcance muito maior, na medida em que afirmo que Deus é necessário não somente para crentes, cristãos verdadeiros, mas até para incrédulos, ímpios, agnósticos, ateus. A tradução que faço é que sem Deus não há felicidade e nem completude, visto que sempre faltará algo àquele que elimina o Criador de sua vida.

Ao longo da história da humanidade muitos tentaram provar a não-existência do Deus Altíssimo, passando pela filosofia, naturalismo, especialmente pelo ramo da biologia. O ponto crucial é o início, o gatilho que deu partida ao universo. A ausência total de matéria, a densa escuridão dando origem à centelha inicial que o homem denomina de big bang. A partícula primeva nascida do "nada" (nihil) e a absoluta impossibilidade do seu surgimento aleatório... Neutrons, fótons, elétrons, a molécula infinitesimal de energia encadeando uma reação concatenada a formar um universo tão complexo e único. Impossível se falar em uma ordem perfeita nascida do caos... A ciência não consegue escapar desse imbróglio, e muito menos desatar o nó lógico.

Os mais empedernidos ateus, críticos cáusticos de Deus, como Richard Dawkins; naturalistas como Thomas Henry Huxley; físicos como Stephen Hawking, todos eles se perdem em seus juízos científicos, ou em seus "experimentos". No máximo, conseguem "tornar a verdade em mentira" mediante loucos exercícios de acrobacia intelectual. O certo é que a criação não pode ser provada empiricamente e nem conhecida mediante axiomas.

Ouso dizer que a gama de cientistas que tenta eliminar Deus da sua mente e das mentes de toda a humanidade mal consegue explicar o universo como ele é visto. Olhos humanos e eletrônicos incapazes de enxergar além das suas frágeis limitações, e ainda assim querendo explicar o que sequer veem! Astrônomos que gritam a descoberta de um "novo astro" a não sei quantos milhões de anos luz enquanto tantos outros milhões (de astros) se "escondem" por trás da pequenez e da incapacidade humana...

De observação em observação e ao longo de muitos séculos o homem conseguiu chegar à conclusão de que a terra é redonda e levemente achatada nos pólos - e que não está localizada no centro do universo. Com o advento dos grandes observatórios astronômicos a visão se ampliou e chegou-se à certeza de que este pequeno planeta em que vivemos está localizado em uma galáxia, dentre milhões de outras.

Nem mesmo a imaginação pode chegar à grandeza do universo. A lógica humana é por demais ignorante para apreender o que está ao redor em um mero exercício de raciocínio, porque o que vemos transcende ao que podemos apreender, ainda que munidos da mais alta tecnologia de observação, como os super telescópios, a exemplo do Hubble e do Herschel.

Não há resposta fora de Deus. Há somente loucura. A investigação filosófica por si só também não ultrapassou a encruzilhada que desemboca em Deus. Nem socráticos, nem sofistas, nem aristotélicos, tampouco platônicos conseguiram ir além de um pequeno "demiurgo" imóvel, ou de um "ato puro", todos sem qualquer personalidade. O homem, definitivamente, não é a medida de todas as coisas, como quiseram os sofistas subjetivistas e céticos (relativismo prático).

Ainda que se dê um viés metafísico e ontológico à filosofia, como em Platão, mesmo assim, dissociado da revelação não se chega à plenitude da verdade (Deus, revelação). A razão e o intelecto não conseguem romper a barreira do conhecimento para chegar à explicação inicial de "onde viemos, o que somos e para onde vamos".

Deus é a resposta, é o início e fim de todas as coisas.



Romanos 11: 33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? 36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente.

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sábado, 23 de outubro de 2010

Presidente falastrão do "Partido dos deturpadores"



O último episódio ainda bem vívido nas mentes dos brasileiros envolvendo o molusco (Lula) mostra a infinita capacidade que tem o PT de esmagar as instituições e pisotear a democracia. Refiro-me à "bolinha de papel" jogada no candidato à presidência pelo PSDB, José Serra. É bem verdade que houve desmentido cabal sobre a mistificação criada pelo presidente a respeito da tal "bolinha", uma vez que o Jornal Nacional mostrou que outro objeto mais contundente e pesado atingiu o candidato cerca de quinze minutos após - e este sim, capaz de causar danos físicos.

Como sempre a política partidária do PT com os seus "militantes" afronta as regras mais comezinhas da moral, da ética e dos bons costumes, trilhando perigosamente os desvios que margeiam o abismo e os desvãos da legalidade. O pior é que as brechas da lei facilitam as malfeitorias do "partidão", na medida em que "autoridades" da República, desta nossa "Pasárgada", exercitam tão faceiramente o submundo da campanha. Por submundo não entendam que eu me refiro a clandestinidade, pois o presidente pinta e borda publicamente ao mentir sobre fato notório, provado e comprovado com imagens e análise criteriosa. Porém, a verdade pouco importa a essas pessoas, posto que o importante é a "versão dos fatos" que eles criam, ainda que contrariando o fato concreto, real. A mentira toma cores vivas, e de tanto ser exercitada - pensam eles - se transforma em verdade.

Enquanto tudo isso acontece, a população brasileira já tão sistematicamente bombardeada com os péssimos exemplos vindos do governo barbudo e do seu partido, perde gradativamente a capacidade de reagir, agir e julgar segundo critérios sãos. Os crimes mais vis, as mentiras mais espalhafatosas passam a ser recebidas e processadas com majestosa indiferença, quando não, concebidas com falsa indignação erigida contra a própria vítima. Eis então que o governante desta nossa 'Pasárgada" se fortalece cada vez mais e avança vergonhosamente em suas atitudes tresloucadas, como temos visto nos últimos dias.

A militância bandida, vendo o chefe da nação a lhe dar respaldo, perde o resquício de sensatez e então passa a usar a força, o constrangimento ilegal, o abuso, contra "todos aqueles que pensam diferente", com as suas milícias de soldados sem farda , de roupas vermelho-rotas. Milícia armada de "foices e martelos". Salve-se quem puder! Pescoços vão rolar!

O último bastião é a lei, que, sozinha, nada faz, pois não tem vida própria. É preciso que os Tribunais se levantem, que executem os instrumentos legais, que usem a força da sanção. Ah, os Tribunais...

Assistimos com vergonha aos últimos acontecimentos, assim como assistimos antes ao mensalão, aos dossiês gestados nos gabinetes do Planalto e tão ricamente expostos pela mídia; às negociatas urdidas nos corredores da casa vil - opa, civil! - , aos "dinheiros" escusos e guardados nos locais mais estranhos, etc, etc. Impossível enumerar tantos escândalos que vimos ser noticiados na mídia ao longo dos oito anos de governo do Partido dos Trabalhadores.

E, pior de tudo, vejo pipocando por todos os lados cristãos que se engajam na "luta operária", de olhos vendados contra a imoralidade, infectados por estranha letargia moral e ética, como que esvaziados de tais valores. Cristãos que justificam o erro sob o diáfano argumento de um bem comum e uma "distribuição de renda" que não deve se dissociar daqueles outros valores, antes devendo estar atrelados a eles.

É muito estranho o que está acontecendo. Os verdadeiros valores que advém da Lei Moral são colocados à margem. Buscam-se resultados, pouco importando os meios que são usados para atingir o fim que se quer.

Eu ainda fico com a lei, com a democracia (mesmo incipiente e falha), com o Direito, com a verdade. E, mesmo que o meu candidato perca, eu ganho. Perco, sim, a "peleja", mas não a integridade.

Que Deus nos ajude. Uma coisa é certa, a despeito desses tais que pensam "fazer acontecer", Deus tem o controle e o governo de tudo. E nada, nem uma vírgula sequer, acontecerá fora da sua vontade e do seu decreto. Esse é o grande consolo.


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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dilma ou uma barata?



Há poucos dias afirmei em uma conversa privada o que torno público agora: entre Dilma e uma barata, voto na barata! Não voto na Dilma e nem no Partido dos Trabalhadores por uma série de motivos notórios, dentre eles, porque têm viés marxista-esquerdista.

Não pertenço a qualquer outro partido político opositor ao PT, logo, meus supostos críticos não poderão usar contra mim o argumento do partidarismo, ou da ideologia partidária. Não sou sectário , enquanto o partido "do Lula" pratica o sectarismo mais infame, que jamais se viu outrora "na história deste país". Abomino tanto o pragmatismo religioso, como o político. Não comungo do jargão do "rouba mas faz", tão em voga no governo Maluf. E que vem se repetindo no governo do PT, bastando observar as pencas de escândalos que se sucedem "nas barbas do operário" (operário?).

Não voto em ladrões e corruptos, ainda que se queira justificar as suas ações em razão de uma tortuosa moral e de uma ética claudicante. Não elejo tiranos, e muito menos faço elegias a eles (com o perdão do trocadilho)

Certamente me faltam armas poderosas para lutar contra Lula, Dilma, Genoíno, Zé Dirceu, bem ainda contra o "Partido dos Trapaceiros", todavia, ainda que perdendo o pleito, manterei intacta a honra e os princípios que me tornam um cidadão. Nego-me a aplaudir negociatas, sejam políticas ou privadas, e não me tornarei cego para falcatruas, representadas por dinheiro na cueca, mensalões, propinas, etc. Quero um Estado limpo, um país que cultive valores morais e éticos à toda prova - ainda que isso seja apenas utopia na atualidade, especialmente sob o governo petista.

Estou me lixando para o "crescimento da economia, o bolsa família, os juros do mercado financeiro, a flutuação cambial, o déficit público e o superávit comercial. Pouco me importa se o IDH brasileiro melhorou no governo Lula, ou se a saúde piorou; se as reservas decuplicaram e se os investimentos externos quintuplicaram. Importa a mim, que o governante seja um estadista sério, que paute as suas ações pela honestidade e visando o bem comum; acima de tudo, respeitando as leis.

Tenho como primordial que o presidente não justifique as suas trapalhadas e malfeitorias sob a assertiva de uma cegueira ("não vi), um desconhecimento (não sei), ou um seríssimo problema auditivo (não ouvi). Prefiro um gestou público que veja, ouça e cuide da "res publica".

Não justificarei o meu voto sob um olhar essencialmente cristão, posto que se o fizer, dificilmente encontrarei candidatos em quem votar, menos ainda, candidato a presidente da República. Porém, dentro do possível, escolherei aquele que menos ofusque esses valores, ou que não esteja em guerra contra eles. Logo, se não for um verdadeiro cristão, que pelo menos seja honesto, e que não adote o "princípio" de que o fim justifica os meios - mesmo que fraudulentos, viciosos e contrários à moral e aos bons costumes.

O meu candidato a presidente deve pelo menos ter uma posição clara, sem tergiversar, sem mudar de ideia ao sabor do vento ou das circunstâncias. Não quero um(a) presidente que tenha como plataforma certas ações, como, por exemplo, a descriminalização do aborto, da maconha; que apoie a supressão da liberdade de imprensa e religiosa, mas que, durante a campanha, se veja na contingência de negar o óbvio para garantir a vitória nas urnas.

Sobretudo, quero um presidente que respeite a democracia, ou pelo menos a que temos, ainda que incipiente. Um presidente que não aplauda os irmãos Castro, Ahmadinejad, ditadores e genocidas da África, enquanto morrem as vítimas da sua insuportável tirania.

Não! Ainda que todos os pobres deste sofrido país se transformassem em cidadãos de classe média pela ação torta de tais gestores, à custa da supressão desses valores que prego, especialmente dos valores democráticos que garantem o Estado de direito, ainda assim eu os reprovaria sumariamente.

São por essas e outras que entre a Dilma do PT e uma barata, voto na barata. Todavia, como ainda resta uma boa opção, voto em José Serra.

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