domingo, 16 de maio de 2010

Misticismo evangélico




Por: John MacArthur


Os crentes em Colossos estavam sendo intimidados por pessoas que alegavam ter uma mais elevada, ampla, profunda e completa união com Deus do que aquela que somente Cristo pode conceder. Esses eram os místicos. Eles alegavam haver tido comunhão com seres angelicais através de visões e outras experiências místicas. Paulo disse sobre eles:

Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado sem motivo algum na sua mente carnal, e não retendo a Cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus. (Colossenses 2.18-19)

O misticismo ainda está bem vívo e continua usando a intimidação espiritual para rebaixar os inexperientes. Com freqüência, as pessoas que hoje dizem ter tido visões celestiais ou experiências fascinantes estão simplesmente inchadas com vãs noções, usando suas alegações para intimidar os outros a exaltá-las. Como escreveu o apóstolo Paulo aos crentes em Colossos, esse tipo de misticismo é o produto de uma mente orgulhosa e não-espiritual. Aqueles que o abraçam apartaram-se da suficiência que possuem em Cristo, o qual produz a verdadeira espiritualidade. Não seja intimidado por eles.

Aparentemente, os místicos de Colossos alegaram que qualquer um que não tivesse semelhantes visões esotéricas ou que não abraçasse semelhantes doutrinas estava desqualificado para obter o prêmio da espiritualidade verdadeira. Na realidade, eles mesmos eram os desqualificados (1 Coríntios 9.27).

O misticismo é a idéia de que o conhecimento direto acerca de Deus ou da realidade máxima se consegue através da intuição ou da experiência pessoal e subjetiva, à parte de ou até mesmo em contradição ao fato histórico ou a objetiva revelação divina — a Bíblia. Arthur Johnson, um professor na Universidade West Texas State, afirma o seguinte:

Quando falamos de uma experiência mística nos referimos a um evento que está completamente dentro da pessoa. Esta experiência é totalmente subjetiva... Embora os místicos possam experimentá-la como tendo sido desencadeada por ocorrências ou objetos fora de si (com um pôr-do-sol, uma música, uma cerimônia religiosa, ou mesmo um ato sexual), ela é um evento totalmente interior. A experiência mística não contém aspectos essenciais que existam externamente no mundo físico... Uma experiência mística é primariamente um evento emotivo, e não um evento cognitivo... Suas qualidades predominantes têm mais a ver com a intensidade emocional, ou seja, com o "tom do sentimento", do que com os fatos avaliados e entendidos racionalmente. Embora esta explicação seja verdadeira, em si ela é um modo inadequado de descrever a experiência mística. A força da experiência é freqüentemente tão abrangente que a pessoa que a experimenta vê toda a sua vida transformada por ela. Meras emoções não podem efetuar tais transformações.

Além do mais, é dessa qualidade emocional que resulta outra característica, a saber, sua natureza "auto-autenticadora". O místico raramente questiona a virtude ou o valor de sua experiência. Conseqüentemente, se ele a descreve como lhe dando informação, ele raramente questiona a verdade de seu conhecimento recém-adquirido. Reconhecer sua alegação de que as experiências místicas são "maneiras de conhecer" a verdade é essencial para a compreensão de muitos movimentos religiosos que vemos hoje.

Prevalecendo especialmente no movimento carismático, o misticismo moderno abraça um conceito de fé que de fato rejeita completamente a realidade e a racionalidade. Declarando guerra à razão e à verdade, ele está assim em direto conflito com Cristo e a Escritura. Ele cresceu rapidamente porque promete o que tantas pessoas estão buscando: algo mais, algo melhor, algo mais rico, algo mais fácil — algo rápido e fácil para se substituir por uma vida de cuidadosa e disciplinada obediência à Palavra de Cristo. E, uma vez que tantos carecem da certeza de que sua suficiência está em Cristo, o misticismo pegou muitos cristãos despercebidos. Assim, ele tem carregado boa parte da igreja a um perigoso mundo de confusão e falso ensinamento.

O misticismo criou um clima teológico amplamente intolerante quanto à doutrina exata e à sadia exegese bíblica. Observe, por exemplo, como se tem tornado popular falar sarcasticamente a respeito da doutrina, do ensino bíblico sistemático, da cuidadosa exegese ou da ousada proclamação do evangelho. Verdade absoluta e certeza racional estão atualmente fora de moda. A pregação bíblica autoritária é criticada como muito dogmática. É raro hoje em dia ouvir um pregador desafiar a opinião popular com um ensinamento claro da Palavra de Deus e sublinhar a verdade com um firme e resoluto "Assim diz o Senhor".

Ironicamente, surgiu uma nova classe de profetas que nomearam a si mesmos. Estes charlatões religiosos apregoam seus próprios sonhos e visões com uma frase diferente: "O Senhor me disse..." Isso é misticismo, e ele vitima pessoas que buscam alguma verdade secreta que será acrescentada à simplicidade da Palavra de Deus, que é toda-suficiente e que nos foi dada uma vez por todas.

Um bem conhecido pastor carismático disse-me que uma vez ou outra, de manhã, quando está a se barbear, Jesus entra em seu banheiro e põe seu braço em redor dele e conversam. Ele acredita mesmo nisso? Eu não sei. Talvez queira que as pessoas pensem que ele tem mais intimidade com Cristo do que a maioria de nós. Seja qual for o caso, sua experiência está em grave contraste com os relatos bíblicos das visões celestiais. Isaías ficou aterrorizado quando viu o Senhor e imediatamente confessou seu pecado (Isaías 6.5). Manoá temeu por sua vida e disse a sua esposa: "Certamente morreremos, porque vimos a Deus" (Juízes 13.22). Jó arrependeu-se no pó e na cinza (Jó 42.5-6). Os discípulos ficaram petrificados (Lucas 8.25). Pedro disse a Jesus: "Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador" (Lucas 5.8). Cada um deles ficou perplexo com um senso de pecaminosidade e temeu o juízo. Como alguém poderia casualmente falar e se barbear enquanto na presença de um Deus tão infinitamente santo?

Um jornal local recentemente falou de um bem conhecido tele-evangelista que, disse ele, ao tirar uma soneca em sua casa, de repente, o próprio Satanás apareceu, pegou-lhe pelo pescoço com as duas mãos e tentou estrangulá-lo até morrer. Quando ele gritou, sua esposa veio correndo à sala e espantou o diabo. Através dos anos, esse mesmo homem tem relatado outras experiências bizarras.

Francamente eu não creio em relatos como esse. Além do fato de quase sempre não se alinharem com a verdade bíblica, eles afastam as pessoas da verdade de Cristo. As pessoas começam a buscar experiências paranormais, fenômenos supernaturais e revelações especiais — como se nossos recursos em Cristo não fossem o bastante. Elas tecem suas perspectivas a respeito de Deus e da verdade espiritual baseadas em seus sentimentos que elas mesmas geram e autenticam, os quais se tornam mais importantes para elas do que a própria Bíblia. Em suas mentes, criam experiências a partir das quais desenvolvem um sistema de crença que simplesmente não é verdadeiro, se expondo ainda mais à decepção e até mesmo a influências demoníacas. Esse é o legado do misticismo.

O misticismo também destrói o discernimento. Porque as pessoas pensariam por si mesmas ou comparariam o que lhes é ensinado com a Escritura, quando seus professores alegam receber a verdade diretamente do céu? Assim o misticismo se torna um instrumento através do qual líderes inescrupulosos podem extrair dinheiro e honra do rebanho, por meio de experiências fabricadas, tirando vantagem da ingenuidade das pessoas.

O pastor de uma grande igreja em nossa cidade queria mudar a igreja para um outro lugar. A idéia não era muito popular entre alguns membros da sua congregação, mas ele lhes convenceu de que era a vontade de Deus, ao apelar para o misticismo. Ele lhes disse que em três diferentes ocasiões o Senhor mesmo lhe havia falado, instruindo-lhe a mudar a igreja para certa localização. O pastor declarou que na terceira ocasião o Senhor lhe disse: "Chegou a hora. Deixe o problema comigo. Eu vou agir em muitos corações. Alguns não entenderão. Alguns não vão seguir. A maioria irá. Vá, cumpra minha ordem". Esta é uma citação textual do boletim da igreja.

Quando o pastor apresentou o plano à sua congregação, ele o comparou ao desafio que Caleb e Josué fizeram aos israelitas para entrarem na Terra Prometida (Números 13.30). Depois ele acrescentou:

Se você não consegue ter a visão do belo plano de Deus, eu entenderei, mas é essencial que nossa igreja enfrente esta oportunidade de seguir o plano de Deus. Se você não for conosco, eu entenderei. Eu não vou pensar de você como mau ou destrutivo... eu quero que marchemos em frente com o plano de Deus e quero que cada um de vocês venha comigo. Você vai se alegrar de ter feito assim, e Deus vai lhe abençoar por isso.

Essa é a clássica intimidação de um apelo ao misticismo! Este homem com efeito renunciou a toda responsabilidade por seu plano e a colocou sobre Deus. Fazendo isso, ele retirou a decisão do seu povo e de outros líderes da igreja e a baseou em seus próprios sentimentos inconfiáveis. Ele sugeriu que qualquer um que discordasse do seu plano estaria se opondo à vontade de Deus e correria o risco de incorrer no mesmo destino que os incrédulos israelitas sofreram, quando se recusaram a entrar em Canaã!

Talvez Deus quisesse que aquela igreja mudasse — essa não é a questão. Porém, o apelo do pastor a seus próprios sentimentos místicos, subjetivos e autenticados por ele mesmo estava errado. A Escritura é clara em que tais decisões devem ser feitas com base em um acordo sábio, unânime e regado com orações, entre anciãos cheios do Espírito que buscam a vontade de Deus na Escritura, não em caprichos místicos de um homem.

Lembram-se de Oral Roberts e sua famosa alegação de que Deus o mataria, se os ouvintes não enviassem milhões de dólares para sua organização? Através dos anos, ele tem feito semelhantes apelos fantásticos, indo desde promessas de um milagre por uma determinada soma de dinheiro, até a afirmação de que Deus revelaria a ele a cura do câncer, se todos enviassem várias centenas de dólares. Esse tipo de extorsão se torna possível porque muitos cristãos não reconhecem o erro do misticismo. Eles querem apoiar o que Deus está fazendo, mas não sabem discernir as coisas biblicamente. Conseqüentemente, eles são indiscriminados no dar. Alguns enviam enormes somas de dinheiro na esperança de comprar um milagre. Ao fazerem isso, eles pensam estar demonstrando grande fé, mas na realidade estão demonstrando grande desconfiança na suficiência de Cristo. Aquilo que eles pensam ser fé em Cristo é, de fato, dúvida em busca de provas. Deste modo, pessoas fracas são presas fáceis das falsas promessas do misticismo.

Pregadores que confrontam os ensinos místicos sempre são estigmatizados como críticos, sem amor ou causadores de divisão. Assim, o misticismo tem fomentado uma tolerância ao falso e negligente ensino. Mas a ordem bíblica é clara: nós devemos ser apegados "à palavra fiel que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino como para convencer os que contradizem" (Tito 1.9).

Não existe plano mais alto — nenhuma experiência sobrepujante ou vida mais profunda. Cristo é tudo em todos. Agarre-se a Ele. Cultive seu amor por Ele. Somente nEle você é completo!





Breve comentário do autor do blog: A despeito de ser um teólogo renomado, o autor deste maravilhoso texto consegue ser também claro, objetivo e preciso. Na simplicidade e clareza das suas palavras, a essência do texto pode ser apreendida por qualquer pessoa alfabetizada. E ainda assim, muitos teimam em continuar alimentando esse misticismo estranho. Por quê? A meu ver, duas razões guiam esses evangélicos místicos: desconhecimento da Palavra de Deus, o que possibilita aglutinarem à doutrina verdadeira um monte de fábulas; e, intervenção direta de demônios. Uma coisa é certa, esse tipo de "adoração" não chega ao Trono de Deus.

Tenho combatido essas práticas nefastas neste blog desde a sua criação. Penso até que tenho sido repetitivo às vezes. E ainda assim, muitos daqueles aos quais dirijo as minhas críticas, no afã de que retornem à verdade, preferem se manter no erro, endurecidos e voltados para si mesmos, para a sua própria glória. Os tais são como "fonte sem água, impelidos por temporal. Para eles está reservada a negridão das trevas" (2 Pedro 2:17). Porque, ao se desviarem da são doutrina, não têm a Deus , e nós não devemos ser "cúmplices deles" (2 João 1:10-11). Por isso combato-os em amor.

Mais uma vez insto a você, acostumada(o) a acessar este blog a fim de criticar quem propaga a Palavra Verdadeira, a doutrina de Cristo, a repensar as suas loucas ações, retornando à sã doutrina e "abandonando as fábulas e a coceira nos ouvidos" (2 Tm 4:3-4). Faça isso, ao invés de se colocar na condição de perseguida(o). E deixe de policiar aqueles que aqui vêm , reconhecendo nestes textos a perfeita manifestação da Doutrina da Verdade. Faça(m) isso, pois não desejo mais lançar "pérolas aos porcos" (Mateus 7:6), tampouco se mantenha(m) nas "fábulas profanas e de velhas caducas" e alimente(m)-se das verdades bíblicas (1 Tm 4:6-7). Não continue(m) com a "mente cauterizada, nem apostate da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a ensinos de demônios" (1 Tm 4:1-2).


10 comentários:

Regina Farias disse...

Ricardo,

Estava sentindo falta de um texto novo aqui mas até valeu a demora pois você nos presenteia com essa bela reflexão. Aliás, duas, pois você ainda consegue a façanha de complementar o que já estaria completo.

Está completo, mas gostaria só de dizer que é impressionante como a criatura possui o "dom" de colocar-se no lugar do seu Criador com a maior cara de pau. Refiro-me especificamente a quem tem a audácia e descaramento de dizer-se - e achar-se!- representante direto, a ponto de afirmar com veemência alguns cliclês insanos do tipo "O Senhor me disse, o Senhor está mandando eu te dizer, o Senhor me mandou te entregar essa mensagem"- Tenha santa paciência! - fora que tem ainda os mais afoitos que falam usando a PRIMEIRA pessoa.

E o que tem de gente de boa fé enganada e "crente" que é Deus quem tá em linha direta... É brincadeira! Só não dou risada porque a coisa é séria mesmo!


É isso, meu irmão! Por amor, também estou contigo nesse combate a fábulas. Cada um do seu jeito, claro, mas quando leio coisas assim, de imediato identifico como sendo a mesma luta minha.

Deus te ilumine sempre,

R.

Esli Soares disse...

Ricardo,

Não obstante a todas essas maluquices, que para mim, não passam de mentiras e artimanhas de homens (e demônios), não podemos nos fechar para entender as experiências sobrenaturais (não sei se esse é o menhor termo para essas experiências).

Entretanto antes de divulgar ou mesmo concordar com tais experiências (com a possibilidade de serem verdade) devemos buscar a Verdade que só se encontra na Bíblia... e quem falar diferente (da Bíblia) seja maldito.

Tive e tenho muitas experiências que poderimos chamar de sobrenatural ou místicas, mas sou autorizado a divulgar (apenas)a Palavra de Deus, afinal é nela que encontramos a Salvação, o mais e descartável.

Na paz do Senhor

Esli Soares

Regina Farias disse...

A questão é que muitos usam essas"experiências" para impressionar e manipular as pessoas e, pior, ainda inventam, aumentam, como se tem visto muito por aí.

Ricardo Mamedes disse...

Regina,

Você está certíssima, pois de fato a manipulação grassa nesse meio, urdidas po supostos líderes ungidos.

Gosto muito quando encontro um texto como este, que reflete exatamente o que penso. Detesto mesmo essas tais "experiências" subjetivas e esotéricas, quase sempre envolvendo "visões de anjos". O autor do texto está certo, ao retratá-los como 'inchados' de si mesmos. Eu os conheço e tenho competência para criticá-los.

Indo além da Revelação escrita, avançam o sinal vermelho, posto que, para mim, a suficiência das Escrituras é 'condição sine qua non' do cristão verdadeiro. Assim como você, eu não quero essas tais "experiências", preferindo ficar no terreno firme da Palavra.

Muito obrigado pela visita e pelos comentários, sempre equilibrados e substanciais.

Grande abraço, naquEle que supera todas as experiências místicas: Cristo!
Ricardo

Ricardo Mamedes disse...

Esli, meu camarada!

Bom recebê-lo por aqui novamente! Estava sentindo falta dos seus comentários meu irmão! Porém, como sei que você anda muito ocupado, sou obrigado a perdoá-lo (rsrs).

Quanto às experiências sobrenaturais... penso mesmo que devemos qualificá-las bem, a fim de não incorrermos no mesmo erro dos tais, identificados no texto. É claro que temos experiências sobrenaturais, simplesmente estando em contato com Deus e com a Sua Palavra, pois ele é sobrenatural. No entanto, ao passarmos para visões de anjos, ou "deus" se manifestando para a pessoa, falando com ela quase naturalmente, aí a coisa toda degringola. Repito, já tive experiências monumentais orando e lendo a Bíblia. Tais experiências nos aproximam de Deus; é um sentimento de presença do Eterno. Nada mais do que isto.

Desconfio daqueles que dizem: "deus me disse pra fazer tal coisa"; "deus falou comigo..."
Deus fala ao meu coração, como fala aos corações dos seus eleitos - e não preciso mais do que isso e nem busco algo além. Porque ao buscarmos, corremos o risco de sermos enganados (ele, o outro, se disfarça de anjo de luz...).

É isso aí amigão, bom tê-lo de volta.

Que Deus o abençoe, e à sua família.

Ricardo

Jorge Fernandes Isah disse...

Ricardo,

o pr. John MacArthur Jr. é um dos pregadores que mais admiro, exatamente pela fidelidade à fé bíblica, por proclamar o verdadeiro Evangelho, e não pôr "panos quentes" nos desvios eclesiásticos. Aconselho aos seus leitores a lerem, sem perda de tempo, dois livros dele: "Com Vergonha do Evangelho" e "A Guerra pela Verdade", ambos publicados pela Ed. Fiel, e que estão com preços especiais na Erdos.

Nos livros, o pr. MacArthur expõe as heresias e sofismas do evangelicalismo moderno, provando historicamente que eles não têm nada de moderno, pois satanás os usa repetidamente desde o Éden. E, para tanto, ele os coloca sorrateiramente dentro da igreja, como algo inofensivo, e isso acontece exatamente porque a maioria está mais preocupada consigo mesma do que com a igreja, com a fidelidade escriturística, em glorificar a Deus. Os lobos se infiltram e, com a complacência, o descaso, a omissão e a contemporização de muitos, instalam-se a produzir falsos crentes, a proclamar o antievangelho, a dispersar o rebanho do Senhor.

Graças a Deus que os verdadeiros filhos serão orientados a resistir, a sacudir a poeira de suas vestes sem olhar para trás.

Graças a Deus que o irmão e a família ouviram a Sua voz, afastando-se, não sem muita tristeza. E sou testemunha disso; porém, para a eterna alegria ao lado do nosso Senhor.

Outro livro que considero interessante, e que trata dos mesmos pontos abordados pelo pr. MacArthur é "A História das Doutrinas Cristãs", de Louis Berkhof. Contudo, este é mais didático, enquanto os outros são didáticos mas, sobretudo, pastorais.

Grande abraço, meu amigo!

Cristo o abençoe!

Ricardo Mamedes disse...

Jorge,

Eu estou anotando aqui todas as suas indicações, pois sei que as obras são mesmo ótimas, assim como reconheço em você um leitor ávido e criterioso.

Sem dúvida o MacArthur é muito bom mesmo, pois não 'amacia' com esse pessoal, dizendo todas as verdades necessárias. Quem dera que esses cristãos místicos e avessos à teologia lessem autores como ele, ao invés de ficar buscando "alicerce" no lixo místico que há por aí, completamente dissociado da Palavra de Deus.

O negócio é esperar, até que haja uma transformação de vida, através do Jesus Cristo exposto na Bíblia, e não naquele construído por eles mesmos e que nada tem de Divino.

Devemos orar para que eles se acheguem humildemente ao Deus verdadeiro, soberano, através de uma fé racional e sóbria.

Grande abraço meu irmão!

Que Deus o abençoe juntamente com os seus!

Ricardo

joelantiqueira disse...

005+Aumenta a tolerância com o mal - michelson borgen
O cinema tem conjugado sexo e crueldade como nunca. Não me refiro à pornografia, mas aos filmes de autor, aqueles que transportam o espectador a outro plano, exigindo-lhe reflexão e atitude sobre o que se passa diante de seus olhos. Seqüências “autorais” envolvendo sexo, perversão e violência sexual andam ganhando mais adepto tanto de quem está atrás das câmeras, como da platéia. A tolerância do público a certas modalidades de tabus parece maior, talvez porque os espectadores as vivenciem no cotidiano. Os cineastas não fazem mais que espelhar – e não raro refratar – a imagem que têm do mundo. Não há inocentes em tal jogo. Há um desejo das audiências e outro de agradar a estas. Assuntos que soavam insuportáveis cinqüenta anos atrás hoje são vistos como rotineiros. É preciso então avançar e forçar limites. MAS QUANMDO SE COLOCA LIMITES, AS PESSOAS CHAMAM DE AUTORITARISMO E LEGALISMOS; Que razão há para tamanha obsessão transgressiva? Responder que talvez seja porque não haja mais a figura da transgressão é errada. Não fosse ainda um tabu, não chamaria atenção, não lotaria as salas e não resultaria em grandes bilheterias. Todo mundo sabe que basta estampar a palavra “sexo” em um anúncio, que aparece gente interessada. E o cinema é, entre as artes, o maior campo de testes dos instintos mais básicos do espectador. Então lanço uma questão constrangedora: Será que se avançaram os limites até o ponto de sexo e violência se acoplarem e assim fazer com que hoje o estupro no cinema passe por atração erótica? [...] SERÁ QUE ESTA SE TORNANDO UMA DIVERÇÃO O SEXO EXPLICITO E VOLENCIA NA MIDIA ENGERAL;

Se o sexo explícito teve seu tempo (que pode voltar, obviamente), a moda atual é o estupro. Até aí nenhuma novidade. Fiz uma busca no site IMDB com a palavra “rape” (estupro em inglês) e o resultado foi 2.711 títulos. O número de filmes com cenas de estupro (inclusive pornôs) começa a se multiplicar a partir dos primeiros anos da liberação sexual, na primeira metade da década de 60. Houve uma mudança de mentalidade a partir de então. Não vou arrolar dezenas de longas-metragens de arte que investem em cenas do tipo. Os estupradores começam até a ganhar certa simpatia na filmografia recente. No ano passado, a história da violação de uma adolescente foi às telas na adaptação do diretor Peter Jackson do best-seller “Uma vida interrompida” (Lovely Bones), de Alice Sebold – e quase rendeu ao ator que fez o estuprador, Stanley Tucci, o Oscar de coadjuvante. A peculiaridade da trama está na forma como ela é contada, pela própria vítima, diretamente do limbo. O que significa que a audiência tem acesso a detalhes ainda mais escabrosos do crime. E as pulsões de amor e morte são tocadas por eles. Vou repetir o argumento de Walter Benjamin: no escuro, cada espectador se projeta na imagem projetada na tela. Assim, o processo de identificação é incontornável. Por isso, Benjamin definiu o cinema como “arte psicanalítica”. Na situação simulada do estupro, somos há um tempo vítima e agressor. Ocupamos os corpos e as almas dos dois lados do ato.

Ultimamente, o gênero estupro seguido por morte tem merecido maior atenção dos diretores. Quero mencionar dois filmes de suspense. Um faz boa carreira nos cinemas e outro entra em cartaz na semana que vem: o argentino “O segredo de seus olhos”, de Juan José Campanella, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2009, e a produção dinamarquesa “Os homens que não amavam as mulheres”, do diretor Niels Arden Oplev, suspense baseado no romance homônimo do sueco Stieg Larrson, best-seller mundial.

joelantiqueira disse...

Continuação
Os dois roteiros são unidos pelo tema do estupro seguido por morte. Em "O segredo de seus olhos", o foco está na beleza de Liliana, apesar dos ferimentos profundos deixados pelo assassino. A câmera passeia com volúpia pelo corpo nu violado e ensangüentado, até dar um close up nos olhos vidrados da morta, olhos enormes e... Sonhadores. São os olhos do cadáver e do possível criminoso que levam Espósito, fascinado pela beldade morta, a começar a investigação. Em “Os homens que não amavam as mulheres”, os olhos abertos dos cadáveres colecionados pelos criminosos também são mostrados em detalhe. O filme dinamarquês é pródigo nos requintes sádicos. Os assassinatos são cometidos como rituais satânicos, repletos de símbolos e citações bíblicas. Na trama sueca, não há espaço para sentimentalismo. [...]

O estuprador do filme sueco [confessa:] “Estuprar é uma experiência fantástica”, diz ele, enquanto começa a enforcar Blomqvyst. “Não existe nada igual a matá-las. O que mais gosto é o olhar delas no momento em que se decepcionam ao saber que não vou salvá-las, que elas vão morrer. É um instante maravilhoso.”

Por mais que resista por saber que se trata de ficções, o espectador acaba se deixando levar pelo enredo e, talvez, involuntariamente, conduzido a uma situação-limite que poderia ser real. É o que Aristóteles denomina catarse, (PURIFICAÇÃO) de purgação dos desejos por meio de um mecanismo de transferência, para usar um termo mais moderno. [...] O cinema atual induz o espectador a fantasias proibidas, e entre elas tem enfatizado a do estupro. Ora, o estupro como atração erótica é uma distorção. Para mim, estupro é sexo ruim, mesmo em fantasia. Não há tema vedado à arte, se ela é grande. Agora, porém, os diretores têm confundido a exploração do interdito com excelência estética. O resultado só pode ser o rebaixamento dos sentidos – e da reflexão.

(Luís Antônio Giron, Época)

Nota: Muito oportuno esse artigo de Giron. Deve chamar a atenção especialmente daqueles que querem ter mente puro e capacidade de reflexão apurada. Além de evidenciar que cada vez mais as pessoas se habituam ao mal, note o que escreveu o autor: “o processo de identificação é incontornável” e “o espectador acaba se deixando levar pelo enredo e, talvez, involuntariamente, conduzido a uma situação-limite que poderia ser real”. Não é motivo mais que suficiente para escolhermos muito bem o tipo de produção cinematográfica que vamos assistir? Pense nisso

Joel Antiqueira disse...

Misticismo evangélico-pagão
Talvez seja incômoda, forte, ou mesmo imprópria – diriam alguns – a expressão: “misticismo evangélico-pagão”. Com esta expressão queremos fazer referência ao estilo de fé em voga atualmente, principalmente entre grupos neopentecostais, onde se verifica não só a escassez de conhecimento das Escrituras e de uma boa teologia, mas também o abuso de simbologias, práticas e técnicas que não fazem parte das tradições cristãs, mas, sim do paganismo. É importante que se diga que muitas dessas práticas têm sido adotadas não só nos movimentos neopentecostais, mas também, em comunidades do segmento pentecostal clássico e do protestantismo histórico. Em nossas igrejas é possível haver pessoas que, no fundo, se deixam fascinar pelos absurdos que ai está. Os tempos atuais exigem do povo de Deus, cautela, lucidez e maior apego à palavra de Deus. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

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