quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Deus e eu


Cheguei em minha casa no fim do dia, lusco-fusco, extenuado, nem tanto pelo cansaço físico, mas mental, diante das mazelas do cotidiano.
Não raramente me pego a pensar em Deus, mas não nos seus atributos, ou nas suas qualidades intrínsecas, estas eu conheço pela Bíblia e estou absolutamente convencido. Sei quem é Ele, creio na sua graça salvadora e ponto final. Penso na sua complexidade. Não consigo acomodá-Lo no meu pequeno intelecto.

As perguntas naturais que ocorrem a todos os seres humanos também me perseguem: quem é Ele? De onde veio? Porque sempre existiu? Parecem, 'prima facie' , perguntas até infantis, mas não são. Não são mesmo! Os maiores teólogos, os grandes estudiosos que já passaram por essa terra tentaram decifrar esse enigma e jamais conseguiram. Costumo dizer que a matéria com que Ele nos formou, consoante ser a bênção da nossa existência como pessoas, seres pensantes, é também o que trabalha contra nós, pois ela nos limita. Paradoxal? Talvez.

Ao me perder nos meus devaneios transporto-me a uma época (?) em que nada existia, e ainda assim Ele contemplava a face do abismo. Retrocedo mais ainda e além do abismo imagino uma solidão e silêncio totais, quando sequer os anjos haviam sido criados. Confesso que a tristeza me invade, estou de fato condoído pela solidão lancinante do Criador... Será que ele se sentia só? Entediado?

São apenas conjecturas, todavia eu acho que sim, Deus se sentia sozinho. Prova disso é que criou, primeiro, as criaturas celestiais para se interrelacionarem com Ele. Não fosse assim não os teria criado, pois Ele se basta. E poderia ter parado por aí, pois a Bíblia nos faz inferir que são milhares, senão milhões deles.

Ele nos criou, mesmo sem uma aparente necessidade... isso me faz pensar. Porquê? Ele já era glorificado o bastante pelas suas criaturas angelicais, qual a necessidade havia para criar outras criaturas, inteligentes, porém tão frágeis? É difícil uma resposta, pois nos adentramos nos pensamentos e motivações de Deus.

A lógica humana me faz conjecturar que Deus não se encontrava ainda satisfeito, pois caso contrário não nos teria criado. Sendo perfeito, todas as suas atividades obedecem a um projeto definido, uma vez que os seus atributos Lhe permitem conhecer o que ainda não aconteceu, ou aquilo que irá acontecer. Logo, nós somos um projeto de Deus muito importante, talvez o maior de todos.

Quem sabe Ele tenha nos feito menores do que os anjos, no que tange aos seus poderes, tão frágeis e limitados pela matéria, exatamente para nos AMAR tanto. Sim, é isso mesmo, Ele nos fez para sermos objeto do seu grande amor. Não há outra explicação.

O Excelso Criador precisava amar, assim fomos criados para que esse imenso amor fosse manifesto em nós. Por isso somos criaturas especiais para Deus, a Bíblia comprova isso. E ainda assim nós O rejeitamos diuturnamente, fazendo com que Ele sofra (...) "com gemidos inexprimíveis".

Contudo, Deus ainda não se sentia satisfeito. Antes mesmo de nos criar, quando ainda nos gestava em sua mente intemporal, sabia que iríamos pecar e decair da sua bênção. E Ele não queria nos perder! Sendo justíssimo, Ele não poderia nos perdoar sem qualquer merecimento. E méritos não tínhamos nenhum, justiça alguma possuíamos por nós mesmos. Ele então, por intermédio da sua Graça, deveria nos tornar justos, mesmo sem qualquer mérito. Como? Da única forma possível: "dando a si próprio por intermédio do Seu filho amado, como propiciação pelos nossos pecados e pelas nossas trangressões e iniquidades".

A maior prova de amor que alguém poderia dar. Não, a maior prova de amor que NINGUÉM poderia dar, somente Deus: abrir mão da sua divindade, fazer-se carne, descer ao mundo e padecer as dores como qualquer ser humano, e morrer por nós uma morte humilhante. Morte de cruz. Ser pendurado no madeiro, sangrando, moído; depois de ser escarnecido e vilipendiado. E ainda assim, mesmo sendo Deus, a tudo suportando, pelo grande amor que tem, teve e sempre terá por nós.

Esse é o meu Deus. Esse é o Deus que merece de mim todo respeito, toda honra, glória, culto, exaltação e amor. Nada que eu fizer retribuirá tudo que Ele fez por mim para possibilitar a minha salvação e estar com ele pela eternidade. Amém.




14 comentários:

PC@maral disse...

Deus é amor! E porque Ele é amor não somos consumidos.
Deus já tinha glória antes mesmo que houvesse mundo. Ou que qualquer coisa, que sonhamos conhecer, existisse.

Deus não precisava salvar o homem. Mas, porque Ele é amor, se humilhou, desceu de seu trono de glória, se fez homem e morreu a pior das mortes que o homem poderia imaginar. Por amor de todos nós.

E nós, ainda nos gloriamos que somos alguma coisa, quando até a nossa respiração é Deus quem nos dá. "tirando o fôlego" que podemos "nós" fazer?

Eu, sem Deus não sou nada, não tenho esperança, minha vida é como a da erva no campo "seca-se a erva e cai a sua flor mas a palavra de Deus permanece para sempre".

Deus sempre existiu e sempre existirá, não sei como é isto, mas sei que Deus existe, e que Ele morreu me substituindo naquela cruz, eu e você fomos salvos por Jesus. Por amor.

Simples não? Mas o ser humano complica tudo e não aceita a simplicidade do evangelho, ao invés de se moldar a Deus quer moldar Deus.

Mas Deus é amor, e Nele não há sombra de variação, o que Ele prometeu para todos nós Ele vai cumprir. E, se eu permanecer firme até o final, subirei ao encontro Dele, Naquele Dia, nas nuvens, para morar na Jerusalém Celestial.

Deus tenha misericórdia de todos nós, e que Ele nos abençoe!

Amém!

Mário Celso S Almeida disse...

Obrigado pela sua visita ao meu blog...você tem uma inteligência fantástica...continue escrevendo...Que Deus te Abençoe

Brother Mário

Alan Brizotti disse...

Ricardo, valeu pelos comentários no meu blog.

Gostei do texto, é libertador servir a um Deus que nos instiga a crscer sempre. Ele não pode ser "enquadrado" por respostas simplistas, é isso que me fascina.

Abraço

Nilton Rodrigues disse...

Muito interessante esta reflexão...
Que Deus continue o abençoando com essa percepção!

Forte abraço,
Nilton Rodrigues

nanieateologia disse...

Antes de ser condenada por acepção de pessoas, eis-me aqui, Ricardo!!! rsrsrs
Muito obrigada por seguir o meu blog e estou seguindo o seu...

Parabéns pelo texto!
Abraços!!!

O Bereiano disse...

Grato pela visita e por ficar no cantinho Bereiano, parabéns pelo teu Blog e pelas matérias, seguramente que irei postar algumas em meu Blog (com os devidos créditos, rsrs)
Abraços Bereianos

Levi Bronzeado disse...

Prezado Ricardo

Gostei do seu ensaio "Deus e Eu".

Como humano não posso entender o agir desse Deus, pois Ele está sempre em movimento, e torna-se um paradoxo quando minha mente fixa e apequenada O tenta definír, porque definir Deus é aprisioná-lo entre as grades do estreito de minha mente.
Não posso particularizar a verdade desse Deus,que por ser infinito e indizível, do homem nunca será decifrado.

P.S.: Agradeço a sua passagem pelo "Ensaios & Prosas"
Que possamos sempre continuar com essa interação.

Sudações fraternias,

Levi B. Santos

Leonardo Gonçalves disse...

Mano Ricardo,

Passando para bater cartão (passo aqui todos sos dias, há uma semana exatamente), e para ser edificado através das suas prudentes e relevantes reflexões. Parabéns pelo blog!

Gostaria de manter contato por e-mail, para um intercâmbio de idéias. Meu e-mail pessoal é leomissao@hotmail.com

Abraço fraterno, do amigo e aliado;

Leonardo Gonçalves.

Roberto Vargas Jr. disse...

Caríssimo Ricardo,

Reflexão muito interessante e gostosa de ler.
De minha parte, faria apenas dois retoques:

1) Este primeiro retoque já é indicado por você com o ponto de interrogação ao mencionar uma época antes das épocas. Digo isso porque a eternidade transcende o tempo, diferindo dela como o Necessário difere do contingente, sendo que as nossas definições de "tempo infinito" e outras semelhantes são nada além de pobres aproximações. Pois pensar a eternidade a partir do tempo é sempre uma difícil tarefa, que que no tempo somos e nele pensamos!

2) Não vejo um Deus em solidão sem a criação, pois Ele é um Deus em três pessoas que Se amam e Se bastam. No entanto, compartilho com você o maravilhar-se com o mistério de um Ser autosuficiente que cria algo que, mesmo que absolutamente dependente dEle, é também totalmente diverso. Sempre lembro C.S. Lewis e sua dama verde e Perelandra: "Pensava - disse ela, que era transportada pela vontade daquele que amo, mas agora vejo que caminho com ela. Pensava que as coisas boas que Ele me enviou me arrastavam para dentro delas como as ondas levantam as ilhas; mas agora vejo que sou eu quem nelas mergulha, pelas minhas próprias pernas e braços, como quando vou nadar. Sinto como se estivesse a viver nesse teu mundo sem teto por cima, onde os homens caminham indefesos sob o céu nu. E o encanto com terror também. O nosso próprio ser a caminhar de um bem para outro, andando ao lado d'Ele como Ele Próprio andaria, sem mesmo dar as mãos. Como é que Ele me fez tão apartada d'Ele? Como é que entrou no Seu espírito conceber tal coisa? O mundo é tão mais vasto do que eu pensava".

Mesmo sem tais retoques, no entanto, seu texto está belíssimo!

NAquele que nos ama incondicionalmente,
Roberto

sarah disse...

Caro Roberto,

Me alegra o elogio, não poderia negar. Não para vaidade própria. Não. Eu fiz esse texto para tentar e ousar "ver" Deus, pela minha necessidade gritante de senti-Lo sem vê-Lo e ainda assim vendo-O. Pode parecer piegas (eu detesto pieguice), contudo, ao terminar o texto e lê-lo eu me emocionei. E acredite, não por uma suposta beleza, mas porque naquele momento Deus me invadiu.
Sou apenas uma formiguinha, ou um gafanhoto que Deus observa do alto do Seu Trono de Glória - conforme diz a Sua Palavra -, e precisava enaltecê-Lo, exaltá-Lo de uma forma não tão convencional, para, talvez, proporcionar uma proximidade maior com Ele (quem sabe Ele pudesse me enxergar dentre 6 bilhões de outras formiguinhas).

Ainda bem que você viu a interrogação, pois sei que Deus é intemporal. Tempo, Kronos, se aplica apenas a nós, logo, é uma limitação humana. Deus não se prende, tampouco se limita a nada. Quem foi capaz de criar o universo com um simples mover do Espírito poderia sofrer algum "contingenciamento"? E Ele é tão grande que 'torcerá esse mesmo universo como um pergaminho', no final, a fim de construir uma nova terra e um novo céu, limpos do pecado.
Quanto à solidão de Deus, eu sei que as três pessoas estavam lá, mas Ele - ainda conjecturando - já sentia saudades das suas criaturinhas...
Maravilhoso o texto de C.S. Lewis, com a sua grande capacidade de emocionar.
Gostei muito da sua visita. Faça disso um hábito. Se a inspiração ajudar, há coisas ainda a conjecturar sobre Deus, especialmente o grande amor que sinto por Ele e que só tem crescido a cada dia. Fraterno abraço, em Cristo, o autor e consumador da nossa fé.

Ricardo Mamedes disse...

...Não é a Sarah, sou eu mesmo, Desculpe. Sarah é a minha filha (rindo).

Roberto Vargas Jr. disse...

Caro Ricardo,

Demorei para entender porque a Sarah estava falando comigo! rsrssr

Meu senso estético passa por algo que chamo, tecnicamente, Poesia. Eu sempre a comparo com a Joy de Lewis, embora ligeiramente diferente. Há uma postagem minha em que trato desse tema (Um pouco de Poesia, procure por lá, se lhe apetecer! rs). Posso resumir com um trecho desta postagem:

"C.S. Lewis usava um termo (técnico), Joy, para uma experiência fugaz e difícil de definir. Quem quiser entender melhor o termo e seu significado, dado por Lewis, sugiro a leitura de Surpreendido pela Alegria. Ele me serve aqui apenas para exemplificar justamente essa “experiência fugaz e difícil de definir”, pois o que entendo por Poesia passa justamente por aí. E, justamente por ser assim, acho que não conseguirei explicar bem. O melhor que consigo é dizer que é uma experiência de um vislumbre da Presença. E acho que o inglês o exprime melhor: a glimpse of the Presence!".

Isso tudo para dizer que seu texto é Poesia! O louvor que o gerou e que ele faz gerar é Poesia!

Grande abraço, nAquele que é a própria beleza e a Presença da Poesia,
Roberto

Ricardo Mamedes disse...

Há poucos momentos eu estava refletindo sobre isso, lendo o seu comentário anterior... efetivamente nós devemos buscar o melhor de nós mesmos para oferecer a Deus. É imprescindível que seja o melhor! Talvez o meu melhor não seja o melhor do outro, mas é o melhor para Deus. E Ele vê o interior...
Houve um tempo em que tive sérias dúvidas sobre a "minha eleição". E isso começou a me machucar mesmo. Era exatamente porque "não dependia de mim", de nada que eu fizesse; não adiantaria correr... E naquele momento de sofrimento e agonia a centelha de Deus, ou, como preferirem, o Espírito Santo, me fez compreender com a lição de Paulo, que a "Sua graça me basta".
Talvez você tenha razão e tenha algo de poético, mas o que mais conta é que se originou de um sentimento completa e absolutamente genuíno de amor a Deus. Não foram palavras jogadas aleatoriamente. Vou te confessar que, naquele tempo em que eu tinha dúvidas, jamais imaginei que pudesse sentir tal amor por Deus.
Obrigado meu irmão. Lerei no seu blog o que foi indicado, pode ter certeza.

Em Cristo.

Micael araújo Andrade disse...

Muito bom seu texto!
Fique com Deus!

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