domingo, 6 de dezembro de 2009

Saul e a médium de En-Dor na ótica de Flávio Josefo







O episódio é bem conhecido na Bíblia, tratando-se da saga do rei Davi, perseguido por Saul que nutria contra ele grande inveja. A desobediência de Saul não somente lhe tirou o reinado, como também a proteção de Deus, fazendo com que Samuel ungisse Davi como o novo rei.


Todavia não é esse o cerne da questão que me cabe alinhavar neste texto, mas o episódio que trata da consulta feita por Saul à médium de En-Dor na véspera de sua morte.


Flávio Josefo é um historiador bíblico incrível, talvez o único contemporâneo de Jesus (nasceu no séc. I, no ano 37), que o citou em sua obra[1],inclusive a crucificação, ficando o fato registrado fora da Bíblia pouco depois do seu acontecimento real.


De família nobre, rica e culta, Flávio Josefo influenciou em seu tempo, tendo participado da resistência ao cerco de Jerusalém no ano 70, quando a cidade foi destruída. Há relatos dizendo que o historiador traiu os judeus para se salvar.


Voltando à médium de En-Dor, no capítulo 15 da sua obra, Flávio Josefo narra o encontro de Saul com a bruxa, conforme relatado em 1Samuel, 28, porém, acreditando que a entidade invocada "fosse de fato Samuel". Embora culto, estudioso da Lei, ainda assim o historiador trazia as crendices do seu tempo.


De fato, a entidade invocada não era mesmo Samuel, nem poderia ser, pois isto contrariaria todo o ensinamento bíblico: quem morre não pode voltar para se comunicar com os vivos.


Saul já estava separado de Deus ao invocar a entidade. Em 1 Samuel, 28:14 resta explícito que se trata de um engano de Satanás. Em nenhum momento se diz que "era Samuel", mas que "Saul entendeu que era Samuel, porque vinha "subindo um ancião envolto numa capa".


E um pouco antes, no mesmo Livro de 1 Samuel, nós podemos constatar que Deus já havia entregado Saul a um "espírito mau". Logo, o monarca já não se encontrava mais sob a proteção do Altíssimo, motivo pelo qual as predições da médium se realizaram (1 Samuel 28:17-19.


A conclusão é que efetivamente Satanás pode levar ao engano, até mesmo "se disfarçando de anjo de luz". E verdadeiramente enganou Saul, fazendo-o acreditar que estivesse falando com o espírito de Samuel.



[1] JOSEFO, Flávio. "História dos Hebreus", CPAD, 1990, tradução Vicente Pedroso, 8ª edição, 2004.



7 comentários:

Regina Farias disse...

Muito oportuna essa explanação, pelo menos para mim, pois há seis anos quando eu comecei a "devorar" a bíblia no intuito (infantil)de recuperar o tempo perdido rss essa foi uma das passagens que mais me intrigou e me dizia ser contraditória com a Palavra mas eu nunca perguntei a ninguém, sempre ficando "na minha".
E hoje me vem a explicação clara.
Muito bom!
Deus te abençõe!

Danilo Neves disse...

O texto é polêmico mesmo. Conhecia alguns teólogos de renome que possuem a mesma interpretação dele, como o Simon Kistemaker, mas fiquei surpreso com o Josefo por causa dele ser judeu! A Torá não permitiria ele entender que era de fato Samuel. Irei postar algo no blog da mocidade sobre isso, irmão.

Um abç, Ricardo.

João Carlos disse...

Olá Regina, graça e paz!

Além do que foi muito bem explicado pelo Ricardo, acho interessante colocar o que a própria Bíblia fala sobre o assunto, texto que se encontra em 1Cronicas 10:13-14 "Assim morreu Saul por causa da sua infidelidade para com o Senhor, porque não havia guardado a palavra do Senhor; e também porque buscou a adivinhadora para a consultar, e não buscou ao Senhor; pelo que ele o matou, e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé".

Como sou ex-espírita, fui obrigado a fuçar muito a palavra para ver o quanto ela não se contradiz.

Um abraço!!!

JC

ineto disse...

Boa Noite,
Ricardo!

Sou cristão-evangélico, e confesso que essa passagem bíblica sempre inquietou-me, mas mesmo após sua explicação, ainda me resta dúvida e gostaria muito de saná-la, quando você cita:

"Saul já estava separado de Deus ao invocar a entidade. Em 1 Samuel, 28:14 resta explícito que se trata de um engano de Satanás. Em nenhum momento se diz que "era Samuel", mas que "Saul entendeu que era Samuel, porque vinha "subindo um ancião envolto numa capa"."

Entendo seu raciocínio, e o entendimento, vez que acreditamos na ressurreição, no entanto não posso deixar de indagá-lo acerca do versículo 15 em diante... (pq não seria honesto de minha parte...) Porque então a Bíblia, "fonte de inspiração Divina" e nossa única regra de fé, registra neste formato que se narra a seguir:

15 Samuel disse a Saul: Por que me inquietaste, fazendo-me subir? Então disse Saul: Mui angustiado estou, porque os filisteus guerreiam contra mim, e Deus se tem desviado de mim, e não me responde mais, nem pelo ministério dos profetas, nem por sonhos; por isso te chamei a ti, para que me faças saber o que hei de fazer.

16 Então disse Samuel: Por que, pois, me perguntas a mim, visto que o SENHOR te tem desamparado, e se tem feito teu inimigo?

17 Porque o SENHOR tem feito para contigo como pela minha boca te disse, e o SENHOR tem rasgado o reino da tua mão, e o tem dado ao teu próximo, a Davi.

18 Como tu não deste ouvidos à voz do SENHOR, e não executaste o fervor da sua ira contra Amaleque, por isso o SENHOR te fez hoje isto.

19 E o SENHOR entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o SENHOR entregará na mão dos filisteus.

20 E imediatamente Saul caiu estendido por terra, e grandemente temeu por causa daquelas palavras de Samuel; e não houve força nele; porque não tinha comido pão todo aquele dia e toda aquela noite.

21 Então veio a mulher a Saul e, vendo que estava tão perturbado, disse-lhe: Eis que a tua criada deu ouvidos à tua voz, e pus a minha vida na minha mão, e ouvi as palavras que disseste.

22 Agora, pois, ouve também tu as palavras da tua serva, e porei um bocado de pão diante de ti, e come, para que tenhas forças para te pores a caminho.

23 Porém ele o recusou, e disse: Não comerei. Porém os seus criados e a mulher o constrangeram; e deu ouvidos à sua voz; e levantou-se do chão, e se assentou sobre uma cama.

24 E tinha a mulher em casa um bezerro cevado, e se apressou, e o matou, e tomou farinha, e a amassou, e a cozeu em bolos ázimos.

25 E os trouxe diante de Saul e de seus criados, e comeram; depois levantaram-se e partiram naquela mesma noite.


Entende minha dúvida e não considera-a pertinente? Gostaria muito de entender (excluido qualquer entendimento já pré-concebido... que tenha sido satanás através de um espírito enganador)
Será que existe alguma outra forma de tratar este relato bíblico, levando em consideração a cultura da época, costumes, ou mesmo erro na tradução do hebráico para o grego e deste para o latim? Agradeço pela atenção e que Deus o abençõe!

Iliseu

Abrahão Ribeiro disse...

Reflexão: opositores da Doutrina Espírita pretendendo incentivar descrédito às manifestações espirituais do além, interpretam esta narração bíblica do livro do profeta Samuel uma falsidade manipulada por “satã” como se essa entidade fosse muito mais capaz que os poderes de Deus, pois ela teria onisciência da necessidade do rei Saul que iria buscar apoio moral para enfrentar a guerra contra os filisteus, estaria onipresente para se apresentar com desenvoltura, e até onipotência para profetizar a morte de Saul e toda a sua família: amanhã tu e teus filhos estareis comigo (I Samuel 28. 19).

Para os religiosos bíblicos intolerantes: A Bíblia é, ou não é, a palavra de Deus? As suas Escrituras não foram divinamente inspiradas? Pois quem escreveu o livro bíblico que descreve esta comunicação não foi o rei Saul; ou teria sido Samuel, que já estava em outra dimensão de vida? O autor, ou conjunto de autores que narram este fenômeno mediúnico do povo hebreu analisa verdadeiramente esta manifestação como um fato real positivo entre os dois planos de vida: material e espiritual.

- Se a Justiça Humana condena a falsidade ideológica: “dos crimes contra a fé pública, código penal brasileiro art 296/305”. Deus o poder absoluto, a perfeição suprema, caso permitisse a presente narração que descortina o sentimento de imortalidade nas pessoas e proclama a soberania de seu poder ilimitado na Natureza, sugestionando a mente das gerações vindouras para uma esperança gloriosa além-túmulo com a possibilidade de intercambio com os que ficaram na existência material. E, lamentavelmente, esta narração tão bela é um “simulacro ?” uma falsidade ideológica que a Onisciência Suprema teria permitido incluir nas páginas das Escrituras do livro sagrado, o Criador estaria induzindo ao erro milhares e milhares de criaturas...

Muitas pessoas que folheiam as páginas da Bíblia necessitam: olhos para ver, ouvidos para entender as suas mensagens...

Deus a perfeição absoluta em todas as coisas, com certeza, a sua Justiça é muito superior à Justiça humana.

A Bíblia para ser palavra irrefutável de Deus, e o autor divinamente inspirado, é quem deveria inserir no seu capítulo: “satã” simulou ao rei Saul através da médium de En-dor ser o espírito do profeta Samuel, caso esta comunicação mediúnica fosse falsa. E, não, religiosos com pouco discernimento no curso dos séculos – os falsos doutores bíblicos de todos os tempos, tentando fazer uma inversão do sentido no seu texto sagrado, semeando dúvidas e desfavorecendo o Poder imensurável de Deus, tal qual os fariseus da época do Cristo que fechavam o portal do conhecimento celeste aos homens, pois nem entravam, e nem permitiam entrar, aqueles que queriam entrar (Mateus 23. 13).

Saduceus (Lucas 20. 27/38) era uma seita da época do Cristo que negava a imortalidade da alma e sua interação com o plano material. Ainda hoje o saduceismo influencia crenças que se proclamam cristãs, mas que compreendem um “evangelho morto” sem espírito redivivo.

http://vozqclamabr.blogspot.com.br/2013/11/evocacao-do-espirito-do-profeta-samuel.html

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Intensivo de Difusão Espiritualidade Evangélica – I D E

Abrahão Ribeiro disse...

SERÁ QUE FOI DEUS QUEM PROIBIU, NA BÍBLIA, A EVOCAÇAO DAS ALMAS DOS MORTOS?

DEUS, Ser Absoluto e Supremo da Vida no Universo JAMAIS proibiu a evocação das almas dos mortos, conforme muitos religiosos entendem na descrição em Deuteronômio 18. 11 * Pois conforme esclarece o Novo Testamento: NINGUÉM NUNCA VIU A DEUS - João 1. 18 Apenas Jesus que está no seio do Pai, esse o fez conhecer; ou seja, instruiu as palavras de vida eterna verdadeiramente como representante de Deus.

MOISÉS, SIM, como legislador hebreu proibiu essa prática comum entre os egípcios quando estava formando a soberania da Nação israelita (Deuteronômio 18. 9). E usou o termo que todos os políticos, inclusive da atualidade, usam quando promulgam a Constituição das Leis Sociais de uma Nação, por exemplo, está impresso no cabeçalho da Constituição Federal do Brasil: “Em nome de Deus promulgamos estas Leis, isso não quer dizer que Deus, pessoalmente, é quem decreta essas Leis”

Também não nos esqueçamos de que o Governo que Moisés estava constituindo era pelo regime de Teocracia = (do grego) Teo = Deus + Kratos = Governo. E os Juízes do Synedrion de Jerusalém eram considerados “deuses” por representarem a Divindade quando analisavam, julgavam e prescreviam normas religiosas para o povo. Por isso Jesus chamou a atenção dos povos, na sua época: “Não está escrito na vossa lei: “SOIS DEUSES” (João 10. 34) Vide também Salmo 82. 6 “vós sois deuses...”

E Por que Moisés proibiu essa prática? Se era bem comum entre os povos antigos?

Para evitar possíveis infiltrações de ideias subversivas de inimigos estrangeiros da nação israelita, que transitavam e moravam em seu território. E Moises estava querendo formar uma unidade religiosa, por isso somente o corpo sacerdotal de Israel poderia fazer invocações (Êxodo 28. 1 - 3 e I Samuel 28. 6) Era, portanto, vetado às pessoas comuns usarem a prática de consulta às almas dos antepassados, com a finalidade de fazer adivinhações futuristas (Deuteronômio 18. 14).

Conscientizemo-nos: A Bíblia foi idealizada, coordenada, redigida, e traduzida para vários idiomas pela própria MÃO do Homem ao longo dos séculos.

Por isso é que Jesus veio ao planeta Terra para vivenciar a perfectibilidade de Deus Todo Poderoso:

- que não se ira; não se contradiz; não se arrepende; não é falível; não é regionalista; e nem é limitado.

É SUPREMO E ABSOLUTO EM TODAS AS COISAS NO UNIVERSO SIDERAL – É ESPÍRITO CELESTIAL (Mateus 6. 9) (João 4. 24) .

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Intensivo de Difusão Espiritualidade Evangélica – IDE

Abrahão Ribeiro disse...

COM JESUS, todas as coisas são possíveis para Deus. E Jesus rasgou o véu do templo das proibições e limitações na Natureza, e as barreiras do mundo visível e invisível, material e espiritual que se entrelaçam, e é possível sim, os mortos ressurgirem do Além e se manifestarem visível, sensível, e palpável; ou, mesmo em sonhos para os seres humanos encarnados:

- vide a transfiguração de Jesus no monte Tabor, onde Elias e o próprio Moisés (que outrora proibira) voltam do além e interagem com Jesus e os apóstolos: Pedro, João, e Tiago (Mateus 17. 1 -13).

- vide varias manifestações de antepassados em seus corpos espirituais fazendo aparições em Jerusalém a muitas pessoas, comprovando a realidade imutável: a imortalidade da alma (Mateus 27. 51 – 53)

- vide a boa nova de Jesus sendo pregado até mesmo aos mortos, os habitantes do além na dimensão extrafísica, que estavam desorientados na vida espiritual ( I Pedro 4. 6).

- vide a boa nova sendo pregado também aos espíritos em prisão, os quais em outras existências foram rebeldes a lei divina ( I Pedro 3. 18 – 20).

- vide orientação inalterável de Jesus: “Os mortos ouvirão a sua voz, e os que a ouvirem são chamados para uma nova vida (João 5. 25)”. “Porque Deus, não é deus de mortos; e sim de vivos (Lucas 20. 38)”, quer seja da Terra, assim como do Além.

Você sabia? Que aquele que crê em Jesus também fará as mesmas obras que ele fez, quando encarnado na Terra, e outras maiores ainda realizará (João 14. 12). Porque todas as coisas são possíveis para Deus (Mateus 19. 26).

QUER SABER MAIS DESTE ASSUNTO, ENTÃO CLIQ blog VOZQCLAMA, site abaixo

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