segunda-feira, 19 de abril de 2010

A verdadeira adoração


Ontem eu, a Luciana, Sarah e Isadora (família inteira) estivemos em um culto na Igreja Presbiteriana e foi algo de encher o espírito de gozo e alegria. As nossas almas ansiavam por ouvir a Palavra de Deus em toda a sua plenitude, infalibilidade e inerrância, sem subterfúgios e 'desvestida' do emocionalismo tão em voga na maioria das Igrejas evangélicas na atualidade. Confesso que me senti "descontaminado" ao ouvir uma pregação simples, porém profunda, genuína, completamente pautada na Palavra.

Não vi nem sequer a sombra de exibicionismo por parte de quem quer que fosse. Depois de muito tempo vi servos em atitude de completa reverência à Palavra pregada pelo profeta (pregador). Homens, mulheres e crianças calmos, sóbrios, circunspectos, exclusivamente concentrados nas verdades bíblicas expostas pelo Pastor. Todos quietos, em atitude de veneração...

Não assisti a grandes manifestações de "espiritualidade", daquelas que se expressam por gritos, urros, palavras desconexas pronunciadas em estranhos assomos de incontido êxtase - que ocorrem principalmente com pessoas treinadas nesse "mover". Não observei vozes se sobrepondo umas sobre as outras como que em uma competição para ver quem glorifica mais alto... Só silêncio, reverência. Culto na verdadeira acepção da palavra.

O texto bíblico base foi focado em 1 Crônicas 29:10-22, com ênfase na belíssima oração do Rei Davi ao consumar a sucessão do seu filho Salomão, então ungido rei em seu lugar. Interessantes os paralelos traçados pelo pregador, juntamente com as ilustrações a respeito do evangelicalismo da atualidade: pastores pressionando os fiéis (ou súditos?) a fim de "contribuirem" sob pena de não receberem bênçãos, inculcando no 'rebanho' (ou incautos?) a certeza de que a retribuição de Deus será grande, na medida da contribuição ("é dando que se recebe"); triufalismo, prosperidade.

Deus foi enaltecido, a sua soberania foi cultuada e o homem colocado no seu devido lugar de simples e miserável pecador. Aleluia!!! Imaginei que não fosse mais ver esse tipo de espiritualidade, depois de meses e meses ouvindo a pregação sobre a "vitória" do homem por seus próprios méritos (ainda que se pronunciando sobre a soberania de Deus, mas em cujo contexto ela decididamente não cabe). Vi com indizível contentamento um pastor genuinamente em atitude de humildade para com o Criador, reconhecendo a sua própria miserabilidade e se igualando aos demais fiéis na sua incapacidade proveniente do pecado herdado. Nada de ufanismo, nenhuma pressão; toda honra, glória e exaltação direcionados a Deus, Todo Poderoso.

Enquanto a pregação se desenrolava, dezenas de pessoas, homens, mulheres e crianças 'bebiam' as palavras do pregador em um silêncio profundo. Nada de gritos, nenhuma casta espiritual tentando impor a sua condição sobre o rebanho...

Enxerguei a igreja de outrora que eu amara na sua pureza original, ainda não maculada pela 'espiritualidade' de consumo, da aparência, da cacofonia insuportável. Uma igreja que definitivamente não entrou "na visão". Um rebanho lúcido, maduro, não preocupado em se parecer mais espiritual que o irmão do lado.

Com indisfarçável alegria pude entoar hinos de adoração a Deus, composições voltadas para a glória do Eterno. Hinos que não se cantam mais nas igrejas "emergentes", modernas, liberais e que estão "na visão". Dizem que são antigos, retrógrados, ultrapassados... Só há lugar para o novo, para "músicas". Modernidade, modernidade! Nessa seara só se colhem unções, vitória financeira...

Ah, quão oportunamente se falou dos pastores que não pastoreiam, mas que se preocupam precipuamente com a "$emeadura"; daqueles líderes que abandonam o rebanho, a ovelha necessitada de uma palavra de conforto. Do sem número de "testemunhos" vitoriosos, proclamando "bênçãos e mais bênçãos". Os líderes sumamente preocupados com o crescimento, como se essa fosse a única motivação do Reino, mas desacompanhado da pregação do Verdadeiro Evangelho de Cristo.

Foi maravilhoso, em meio à pregação, ver enfatizada a oração de Davi em agradecimento a Deus, sem nada exigir dEle. A reverência àquele que tudo dá, porque o "dar" vem dEle mesmo. E o dar sem exigir, o dar voluntariamente, como fez aquela congregação: "Porque quem sou eu e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. Porque somos estranhos diante de ti e peregrinos, como todos os nossos pais; como as sombras são os nossos dias sobre a terra e não temos permanência" (1 Crônicas 29:14-16). A falibilidade e finitude humanas em descompasso com a soberania de Deus. Ele o "Eu sou", e nós a criação. Oh, quão pequenos somos, quão insondáveis são os os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! (Romanos 11:33)

Não, não havia "unções". Mas havia muita unção. Não vi anjos passeando por entre as fileiras de bancos. Mas certamente os anjos festejavam no céu pela atitude de adoração daqueles fiéis; pelo reconhecimento da soberania daquEle que tudo fez.

Eu lavei a minha alma. Participei de um culto racional, sóbrio, maduro, cheio de decência e ordem (1 Coríntios 14:40).

O Evangelho simples de Cristo foi pregado, sem a necessidade de catarse, "brados" , rugidos, línguas sobrenaturais. Não vi nem um único fiel disputando a fim de que a sua voz se sobrepusesse a todos os sons da igreja. E ainda assim, senti fortemente a presença de Deus.

Por isso mesmo, mais uma vez concluo: Deus e seu Filho estão onde é pregado o Evangelho simples de Cristo, o que me remete às palavras do Apóstolo Paulo:

"Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo."

Fora desse Evangelho não há salvação, ainda que haja grandes "moveres e manifestações espirituais".

Que Deus tenha misericórdia da igreja, sabendo, porém, que tanto joio como trigo crescerão juntos, até o dia da grande ceifa. E então, naquele dia, muitos dirão: "Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade."


Maranata!


15 comentários:

Esli Soares disse...
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Esli Soares disse...

Ricardo,

Quão feliz meu coração fica ao receber tais notícias...

Já havia me expressado aqui da certeza de que Deus direge a sua vida, e de que Jesus Cristo o Senhor é o seu Pastor(e de sua casa). Sabendo que ele (Jesus) é o Bom Pastor, é claro que no tempo certo (tempo dele) ele os conduzirá as águas tranqüilas e verdes pastagens de paz, sem deixar que nada lhes venha a fazer falta.

Na paz daquele que é o Justo Juíz.

Esli Soares

www.palavraqueliberta.com.br disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Fernandes Isah disse...

Ricardo,

a palavra ainda (e sempre) é oração. Sei que pelo discernimento que o Espírito lhe deu você buscará uma igreja e um culto que realmente O glorifique. Na verdade, como o pr. Esli disse, Deus o direcionará à igreja local onde Ele seja reverenciado, e onde o irmão será usado para a Sua glória, participando da Sua obra e na propagação do Reino de Cristo.

Sei que o irmão tem orado por mim e minha família, da mesma forma, saiba que tenho orado por você e os seus queridos.

O Senhor os abençoe e os dirija em Seus santos e perfeitos caminhos.

Grande abraço!

Ricardo Mamedes disse...

Pastor Esli, caro amigo,

É reconfortante ter irmãos e amigos que não somente nos querem bem, mas que expressam isso em palavras. Muito obrigado pelo apoio que você tem dado a mim e à minha família.

Que Deus o proteja e à sua família!

Ricardo

Ricardo Mamedes disse...

Georges, amigo e irmão,

Tenha a plena certeza que eu não cometo a injustiça de generalizar. Mesmo não sendo pentecostal, respeito os meus irmãos pentecostais - e penso que o irmão já teve a oportunidade de constatar isso.

No entanto, o que ocorre naquela igreja que um dia foi minha, é a mais completa bizarrice; a mentira travestida de espiritualidade; os excessos praticados por quem deseja aparecer, ter poder, obter crescimento, inchaço da igreja. Logo, eu jamais teria esse modelo como padrão pentecostal. Eu diria que as nossas denominações em geral estão, em maior ou menor grau, contaminadas por esses modismos satânicos, você há de convir comigo.

Foi isso que eu quis dizer quando citei o culto racional, sem exibições, calmo, até mesmo humilde. Penso que quem busca a Deus em espírito e em verdade prescinde de tais estratagemas, independentemente da denominação a que pertence, histórica ou pentecostal.

Quanto à decisão tomada, é resultado de grande reflexão e oração.

Grande abraço e obrigado pela visita.

Deus o abençoe!

Ricardo

Ricardo Mamedes disse...

Jorge,

Muito obrigado pelas orações, e peço que o irmão continue orando. Quero dizer-lhe que eu e a minha família estamos em completa paz. Como diz o nosso amigo comum, é hora de "bater o pó das sandálias" - e sem olhar para trás.

Desculpe pela ausência. Inclusive era para eu ter ligado para o irmão, mas os últimos acontecimentos me deixaram meio acabrunhado. Brevemente falaremos. Continuarei orando por você e pela sua família.

Que Deus o abençoe!

Ricardo

Regina Farias disse...

Ricardo,

Sei bem do que você está falando e você também sabe do que vou falar, pois já conversamos sobre isso até esgotar o assunto, se é que esse assunto se esgota rss

A diferença é que eu já via isso lá atrás, ainda nas fraldas, quando frequentava os bastidores da ICAR convivendo desde menina com autoridades eclesiásticas locais. (Embora ainda conviva numa boa trocando altas idéias com uma meia dúzia de gente séria que faz parte dessa mesma instituição).

Por outro lado, tinha pavor de crente, tanto os tradicionais sóbrios carregando aquele fardo pesado da perfeição que me incomodava/me intrigava e me deixava com pé atrás, como os mais atuais que caem literalmente na unção (?).

A questão não é a igreja ser "carismática" ou tradicionalista. Pra mim, a grande questão são os líderes, a hierarquia, a equipe que se acha acima do bem e do mal e a gente só sentindo o mau cheiro exalando de lá de dentro.

O bom é que uma hora um balde de agua gelada é derramado sobre nossas cabeças pra aliviar essa podridão rss

E esse balde metafórico tem um grande proveito: você fica mais lúcido, se revigora e percebe cada vez mais que nada tem a ver com mera empolgação, pois mesmo a emoção tomando conta por causa das decepções, o que é mais do que normal, a gente não perde o senso, pelo contrário, aguça-o!!

E é isso que vejo em você por meio desse texto e é que isso me deixa muito feliz.

Um beijo nessa família maravilhosa!

R.

Regina Farias disse...

Ricardo,

Veja que interessante...

Tinha acabado de comentar em um blog sobre a Soberania de Deus e quando "clico" no teu blog olha só o que leio na gravura. :)

Falava do "mala" na cruz que obteve salvação por um triz rss Aquela foi por pouco he he he

Mazenfim... O tempo de Deus é muito diferente do nosso, desculpe o clichezão :)

Deus é maravilhoso!!!

Abs...

R.

Aí o link só pra conferir:

http://examinetudo.blogspot.com/2010/04/o-que-me-disse-o-ir-romario-ncardoso.html

Felipe M.Nascimento disse...

Paz em Cristo jesus eu gostei muito do teu Blog é mo benção... ((Veja))www.blog-vidaprofetica.blogspot.com deixe um comentaria blz até logo valeuuuuu...

www.palavraqueliberta.com.br disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ricardo Mamedes disse...

Georges,

Eu não havia ainda lido esse texto espetacular da lavra do irmão. Li e gostei tanto, que me dei o direito de publicá-lo em meu blog, pois veio bem a calhar. É claro, com os devidos créditos ao seu autor.

Grande abraço e obrigado pelo texto.

Que Cristo nos abençoe a todos, e cuide da Sua Igreja, protegendo-a dos lobos roubadores.

Ricardo

Ricardo Mamedes disse...

Regina,

Fui ao link citado e concordo com a sua explanação: de fato, quando se apega ao legalismo a fé fica obscurecida e a graça deixa de ser graça, parafraseando Paulo.

Obrigado pelo "família maravilhosa". Mas vou te confessar que eu também acho! Amo as "minhas mulheres", que aliás, são três. Tenho praticamente um harém em casa (esposa e duas filhas, não entendam errado! Rsrsrs).

É bem verdade que atualmente as denominações (parte delas), ou se apegam a um legalismo ridículo e morto, ou a uma relativização bisonha, buscando os tais "moveres". E nesse "mover", eles ficam cegos para a Palavra. Para mim, o legalista ferrenho e o ungidão santarrão se equivalem. Prefiro a fé calma, sóbria, pautada unicamente nas Escrituras.

Muito obrigado pela visita e pelos comentários.

Abraço e que Deus a abençoe!

Ricardo

Cynthia Nogueira disse...

Irmão Ricardo Mamedes,

O irmão estava no céu, com a igreja restaurada e não nos contou?
Que maravilha esta igreja que o irmão descreveu. Eu também sonho com uma igreja reverente, compromissada com Deus, sem necessidade de barganhas humanas e sim de busca pela transformação e salvação. Uma igreja de fiéis a Deus e não a títulos ou a pastores. Não entendo a admiração do irmão como generalização ou negação da visão pentecostal. Como também não julgo como "mornos" os cultos tradicionais. Nem uma verdade ou adequação humana é absoluta. Somente Cristo é a verdade absoluta. Porém, somente alerto ao irmão que vá ao pote com bem menos sede. Entendo que não devemos desistir de lutar pelo evangelho puro, mas ainda sou bastante cautelosa (depois de tantos caldos o gato fica esperto!)sobre a postura dos homens.
No mais, peço a Deus que ilumine o irmão e sua família nessa busca por um lar até que o dia do nosso lar definitivo chegue.

Ricardo Mamedes disse...

Cara irmã Cynthia,

Em primeiro lugar quero agradecer imensamente a sua vinda ao meu blog. A irmã certamente sabe do apreço que tenho pelo irmão Georges, seu marido. Aliás, penso que é exatamente o cristianismo real e genuíno que alimenta a amizade entre os 'domésticos da fé', ainda quando eles têm pouco contato, como no nosso caso.

Dito isto, gostaria de asseverar que a igreja onde assisti ao culto noticiado pelo texto é apenas normal. No entanto, nos dias atuais, a normalidade assume essa enorme proporção, tendo em vista que o deus deste século cegou o entendimento da maioria dos homens, especialmente daqueles que não têm a revelação, mesmo quando transmitem uma 'espiritualidade flamejante'.

Por outro lado, pode ter a certeza que não alimento a esperança de que haja igreja perfeita, tampouco aquela onde estive. Nunca depositarei no homem a minha fé, mas somente em Cristo, Corpo da Igreja Invisível e sem máculas. Mas continuarei perseguindo o "Cristianismo puro e simples", sem invencionices, modismos e unções bizarras.

Que Deus nos ilumine a todos nesses dias maus, pelos quais tem passado a Igreja de Cristo.

Ricardo

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