sábado, 6 de agosto de 2011

Amy Winehouse: sobre alma e soul



Já falaram quase tudo que tem para ser dito sobre a cantora que escreveu o seu próprio epitáfio refletido na vida desregrada imposta pela necessidade buscar uma existência intensa. Na tentativa quase desesperada, o mergulho nas trevas foi inevitável. A morte da garota de voz grave, anasalada, quase gutural - e ao mesmo tempo belíssima - é a prova cabal de que a busca pelo sentido da vida por meios heterodoxos não leva a qualquer resposta definitiva sobre o real significado da existência humana nesta terra.

Sucesso, dinheiro, coisas, são como o incenso: vêm e vão. São alimento perecível, que apenas entorpecem o corpo e mortificam a alma, quando buscados como objetivo último. A decadência íntima e pública da moça, o seu desespero, a busca infrutífera por felicidade alicerçada nessas coisas efêmeras foi exibida pelos meios de comunicação como um reality medonho, um show horrendo.

Buscar significado para a existência apenas nesta vida é o caminho mais curto para o desespero, mesmo intensificando a ilusão com paliativos como bebidas e drogas, pois o vazio há de tomar o lugar da ilusão mais cedo ou mais tarde. Deus é o sentido da vida, embora teimando os homens em não reconhecê-lo, mesmo tendo Ele se revelado nos corações desses homens e nas coisas deste mundo.

Assisti como todos à decadência física e moral da garota branca do soul, cuja melodiosa voz remetia à força e beleza dos becos sombrios de New Orleans. Com ela, uma mistura de jazz e blues com um sutil sotaque londrino.

Em meio a lapsos de boa música e torpor etílico, misturado ao mergulho nas drogas, morreu Amy Winehouse. Foi cedo, no alvorecer da vida, aos 27 anos de idade.

Senti-me condoído ao saber de sua morte, pois não é nada agradável ver pessoas tão jovens sucumbindo, nesse mergulho quase sempre sem volta no álcool e outras drogas. Essa minha compaixão está presente nos velórios, especialmente quando começo a imaginar que o morto não tenha encontrado com Cristo, cuja conjectura reside na qualidade de vida que ele levou. No caso da cantora, uma vida completamente desregrada, devotada aos excessos de quase todos os tipos... Pobre Amy Winehouse.

Já falaram quase tudo sobre a moça do soul e cá estou eu a conjecturar sobre a sua vida post mortem... Tão pouco viveu , não se dignando em reconhecer a glória de Deus e nem tendo-O como soberano, pelo que posso vislumbrar da sua curta passagem por aqui.

Os acordes da sua música continuarão a ecoar, a bela sonoridade a embalar muitos sonhos, mas a sua morte é um fato imutável. Quisera que a Amy tivesse conhecido ao Senhor e reconhecido a Sua glória, e então não morreria, mas gozaria de vida abundante na eternidade, posto que quem crê verdadeiramente não morre eternamente, apenas acorda para a vida com Cristo.

Quiçá eu esteja errado... tomara eu esteja errado!


10 comentários:

zwinglio rodrigues disse...

Ricardo, paz!

Boa reflexão.

Senti bastante a morte de Amy. Engraçado, quando eu escutava a música dela, Rehab, eu acha estranho como ela brincava com a vida; vida que esvai quando menos se espera.

Não sabia que você é entendido em música!

Abraços!

Ricardo Mamedes disse...

Zwinglio

Eu também senti a morte da cantora, exatamente pelos motivos expostos no texto. Não é que eu seja entendido de música, mas aprecio muito. Sou chegado a jazz, blues, soul, rock, etc. Músicas cujas melodias sejam arrebatadoras, como os estilo que citei.

Grande abraço e obrigado pela visita e comentário.

Ricardo.

Regina Farias disse...

Pois é, Ricardo.

Ela escolheu abreviar sua existência ao dar de ombros para uma cosita chamada domínio próprio.

E, como falei lá na Dri, nos deixa, de presente, a sua riqueza musical.

Abs,

R.

Ricardo Mamedes disse...

Regina,

Concordo com o seu comentário, pois ela era responsável pelas suas próprias atitudes, afinal, temos escolhas reais. Todavia, além disso, decidiu não glorificar a Deus e nem reconhecê-lo como Senhor, o que certamente foi o pior. A sabedoria humana, dissociada da revelação, é apenas um grande engano, por cujo caminho já passaram existencialistas, humanistas, neo-ortodoxos,etc. Porém, o cabedal de conhecimento trazido por Deus ao homem não somente o faz sábio, como lhe traz a redenção, de tal maneira que o verdadeiro conhecimento é aquele adquirido por iluminação do Espírito Santo.

Grande abraço e mais uma vez obrigado pela visita e comentário.

Ricardo.

Regina Farias disse...

Então,

É exatamente isso o que acontece, quando não exercemos o domínio próprio...

Abs,

R.

Aclim disse...

Morreu. Agora é ela e Deus, aliás é sempre assim nós e Deus. Teologias, e achismos não salvam ninguem.

Deve estar onde escolheu viver em vida, no tormento eterno.

Abraço

Paulo Brasil disse...

Amado Ricardo,

(desculpe a ignorância) mas não conheci suas músicas até sua morte tomar conta da mídia.

sua conduta e aparência não me permitiram interesse maior.

A morte sempre me remete às mesmas reflexões:
o que estará ela fazendo agora, quais seus pensamentos, qual a extensão de sua aflição?

Como uma pessoa londrina que teve alguma iniciação histórica, ele deve saber o que Cristo fez naquela terra.

Compartilho do desejo e angústia do irmão... quiçá.

Em Cristo

Ricardo Mamedes disse...

Caro irmão Paulo,

Repito que é sempre um prazer ler os seus comentários por aqui - confesso que sinto falta.

Quanto à moça, você tem mesmo razão, pois a aparência dela e a sua conduta eram mesmo muito estranhas.

Estou aqui admirado, pensei que fosse somente eu que tivesse essas impressões sobre pessoas que morrem. Fico feliz em ter companheiros nessas estranhas reflexões. Principalmente quando são meus conhecidos, pessoas mais ou menos próximas, sinto uma genuína tristeza ao pensar nelas, não redimidas (apenas impressão, claro)e em sofrimento. Me condoo delas, mesmo sabendo que a minha compaixão não mudará nada, haja vista que tais coisas são definitivas e inexoráveis.

Obrigado pela visita meu irmão. Grande abraço a você e aos seus amados.

Ricardo.

LUCIANE disse...

Senti muito a morte da Winehouse. A mulher era jazz puro! Mas deu cabo de sua própria vida e talento, primeiro porque não o entregou a Deus e depois porque passou a tomar veneno (crack, maconha, álcool...).
Ela disse que seu maior medo era morrer e as pessoas esquecerem dela, de sua música; mas conseguiu a maior tragédia de todas: chegar de "mão abanando" perante Deus... se tornou um exemplo do que pessoa nenhuma deve ser e, diferente de muitos, percebo esse exemplo e quero fazer diferente dessa moça que "viveu" uma "vida" tão sofrida aqui...


Luciane Lee P. C.

Ricardo Mamedes disse...

Luciane,

Ela tinha uma voz única, cantava jazz como poucos, com aquela sua voz falsamente "negra". Todavia, escolheu trilhar o caminho tortuoso e se perdeu na encruzilhada da vida... Ah, como Deus faz falta na vida das pessoas! Você tem razão, pois ela era mesmo o maior exemplo da ausência de Deus.

Abraços!

Ricardo.

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